Cientista político vê um possível efeito negativo para Flávio na ‘vitória antecipada’ de Tarcísio
No Ponto de Vista, Elias Tavares afirma que eventual definição no primeiro turno em São Paulo reduziria a mobilização no estado
A ampla vantagem de Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo pode produzir um efeito que ultrapassa a eleição estadual. Na avaliação do cientista político Elias Tavares, uma eventual vitória do governador já no primeiro turno tende a reduzir a mobilização eleitoral em São Paulo na etapa seguinte da disputa presidencial — cenário que poderia dificultar principalmente a campanha do senador Flávio Bolsonaro. A análise foi feita no Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol (este texto é um resumo do vídeo acima).
Os dois levantamentos apresentados no programa colocam Tarcísio à frente. No Paraná Pesquisas, o governador tem 48,5% das intenções de voto, ante 35,1% de Haddad. Em um eventual segundo turno, são 51,8% contra 38,3%. Já a Genial/Quaest aponta 41% para Tarcísio e 26% para o petista no primeiro turno, além de 48% a 32% em uma segunda rodada.
São Paulo já vive um “segundo turno no primeiro turno”?
Para Tavares, a ausência de candidaturas competitivas além de Tarcísio e Haddad faz com que a eleição paulista assuma desde o início características de um confronto direto entre os dois principais campos políticos. “Na minha avaliação, a gente vai ter um segundo turno já no primeiro turno aqui no estado de São Paulo.”
Segundo o cientista político, as demais candidaturas apresentam pouca relevância eleitoral e poucas condições de crescimento. Dessa forma, a polarização nacional também tende a influenciar diretamente a disputa estadual. Tavares lembrou que o próprio Tarcísio foi beneficiado por essa dinâmica na eleição anterior, quando sua candidatura ganhou força associada à polarização em torno de Jair Bolsonaro.
Uma vitória antecipada de Tarcísio pode afetar a eleição presidencial?
Questionado sobre a possibilidade de uma definição da eleição paulista no primeiro turno reduzir o comparecimento do eleitor na rodada seguinte, Tavares considerou a hipótese relevante. “É uma variável para a gente considerar.”
Segundo ele, sem uma candidatura ao governo estadual disputando o segundo turno, parte da estrutura política e da mobilização eleitoral construída durante a primeira fase da campanha deixa de existir. “A eleição do estado sendo encerrada no primeiro turno, você tem essa desmobilização de forma rápida.”
O impacto ganharia importância justamente porque São Paulo representa o principal palanque eleitoral do país e teria apenas a eleição presidencial como elemento de mobilização na segunda rodada.
Por que o efeito pode pesar mais para Flávio Bolsonaro?
Na avaliação de Tavares, outro componente precisa ser considerado: a intensidade do envolvimento de Tarcísio em uma eventual campanha de segundo turno de Flávio Bolsonaro. “Eu não consigo imaginar um governador engajado num segundo turno com a mesma energia do primeiro.”
O cientista político afirmou que Tarcísio fez um esforço expressivo para consolidar sua própria candidatura no primeiro turno, inclusive aproximando outras forças políticas de sua aliança. Encerrada a disputa estadual, porém, essa mobilização não necessariamente seria transferida com a mesma intensidade para a campanha presidencial.
Tavares também disse perceber um distanciamento entre Tarcísio e Flávio. “O Tarcísio não tem demonstrado essa proximidade, essa vontade de fazer ali movimentos para o Flávio.”
O que mudaria no palanque paulista no segundo turno?
Sem uma disputa estadual, segundo Tavares, os candidatos à Presidência teriam de assumir diretamente o esforço para mobilizar o eleitor paulista. “Vai ter que se fazer um esforço enorme para poder angariar espaço, para poder disputar voto a voto.”
Para ele, a ausência de um segundo turno para governador dificulta a utilização da estrutura política estadual na campanha presidencial e torna a disputa em São Paulo mais dependente da capacidade de mobilização dos próprios candidatos ao Planalto.
O efeito, ponderou, não seria exclusivo de Flávio Bolsonaro. Lula também poderia perder parte da mobilização provocada pela candidatura de Haddad. Ainda assim, diante da relação política descrita por Tavares entre Tarcísio e Flávio, o senador poderia sentir de maneira mais direta o esvaziamento do palanque paulista.
“Eu entendo que será muito difícil se não tiver o segundo turno. Atrapalha um pouco, sim, a candidatura do Flávio e também a candidatura, eventualmente, do Lula.”
VEJA+IA: Este conteúdo foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







