Cientista político alerta para ‘sequestro das instituições’ em meio a escândalos em Brasília
Para Leandro Consentino, autoridades estariam se escondendo atrás das próprias instituições e priorizando o corporativismo em detrimento do interesse público
O cientista político Leandro Consentino afirmou que os episódios envolvendo o Banco Master, autoridades do Congresso e integrantes do Ministério Público expõem um problema institucional mais amplo em Brasília. Em participação no VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, ele disse que autoridades estariam “sequestrando essas instituições” ao utilizá-las como mecanismo de proteção diante de questionamentos e investigações. (este texto é um resumo do vídeo acima)
O que, segundo Consentino, está por trás da crise?
Ao comentar as mensagens reveladas por VEJA que mostram a relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Consentino afirmou que relações privadas envolvendo autoridades públicas precisam ser submetidas à prestação de contas. Para ele, a questão ganha outra dimensão porque Alcolumbre ocupa a Presidência do Senado e do Congresso Nacional.
“Essas autoridades, essas figuras públicas, devem prestar contas ao público. Elas são pagas com nossos recursos. Elas operam no sistema democrático, sendo delegadas da população”, afirmou o cientista político. Na avaliação dele, a falta de transparência se torna ainda mais problemática quando declarações públicas são posteriormente confrontadas com informações ou documentos apresentados nas investigações.
Por que ele fala em ‘sequestro das instituições’?
A expressão foi usada por Consentino ao analisar também a decisão do Conselho Superior do Ministério Público de manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente da investigação relacionada ao Banco Master e arquivar o pedido de apuração sobre sua conduta. Para o cientista político, o episódio reproduziria a mesma lógica atribuída por ele ao caso de Alcolumbre: autoridades e instituições estariam se protegendo mutuamente.
“A gente tem aí um problema em que os atores estão se escondendo atrás das instituições e sequestrando essas instituições, colocando essas instituições na lama”, disse. Na sequência, Consentino afirmou que os responsáveis por fiscalizar a conduta dessas autoridades estariam, segundo sua avaliação, pautando-se mais pelo “corporativismo” do que pelo interesse público.
Para Consentino, o ponto central é a dificuldade de separar o papel de investigador e investigado quando autoridades de diferentes instituições aparecem envolvidas nos mesmos episódios. “Eu brindo os meus pares aqui porque amanhã eu posso ter um problema também e eu também serei blindado”, afirmou, ao resumir o que considera ser a lógica de proteção corporativa.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





