Chico Alencar: o sempre franco-atirador do PSOL

Sem chance de vitória, partido lança candidatura isolada de deputado carioca pela terceira vez seguida para marcar posição no cenário político nacional

Por Felipe Frazão - 1 fev 2015, 07h23

O deputado carioca Chico Alencar será candidato de oposição à Presidência da Câmara neste domingo pela terceira vez consecutiva. E pela terceira vez sem chances de vitória. De perfil moderado, Alencar lançou sua candidatura há dez dias para promover bandeiras radicais do PSOL e reforçar a posição partidária de única legenda de esquerda com representantes no Legislativo, antagonista ao PT e, ao mesmo tempo, ao PSDB e PMDB, donos das três maiores bancadas na Casa.

Cinco parlamentares do PSOL tomarão posse na Câmara neste domingo, o maior plantel eleito pelo partido desde sua fundação. No entanto, o apoio dos correligionários não será suficiente para alavancar a candidatura de Alencar – o PSOL costumeiramente demonstra pouca disposição para acordos eleitorais. Alencar pode ser considerado um dos menos radicais dentro de um partido que reúne figuras como os estridentes Luciana Genro e o ex-BBB Jean Willys.

Mesmo assim, o deputado chegou a no máximo dezesseis votos, em 2011, e estacionou nos onze votos, em 2013, quando registrou sua candidatura no dia da eleição. Nada indica que ele terá desempenho competitivo desta vez, apesar do crescimento de sua bancada para a próxima legislatura. O deputado tenta conquistar parlamentares independentes que rejeitam seguir a orientação das lideranças de bancada. O PT teme que ele atraia infiéis da esquerda e atrapalhe a votação de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ainda é uma incógnita, por exemplo, o comportamento de um de seus correligionários, o deputado Cabo Daciolo, um dos estreantes do Rio de Janeiro na Câmara. Bombeiro militar e evangélico, ele entrou para o PSOL credenciado por ter sido um dos bombeiros presos na greve da corporação em 2012 e ter feito oposição ao então governador Sérgio Cabral (PMDB). Recentes manifestações públicas dele, como uma foto com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), fizeram com que Daciolo entrasse na mira da vigilância do PSOL.

Aos 65 anos, o professor de História tem longa carreira parlamentar: foi vereador e deputado estadual no Rio antes de chegar a Brasília. Foi filiado ao PT, mas deixou o partido após o escândalo do mensalão e passou a combater o financiamento privado de campanha nas fileiras do PSOL desde sua fundação. No ano passado, terminou as eleições com 195.964 votos, o quarto melhor desempenho do Estado. Alencar afirma que sua candidatura à Presidência da Câmara é fruto de uma reflexão da sociedade e iniciativa de movimentos sociais, uma “reação ao discurso de negação da política”. Segundo ele, os demais candidatos fazem uma campanha voltada apenas para interesses dos parlamentares e distanciada dos eleitores, de quem deveriam buscar aproximação.

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“Não sou candidato para presidência do sindicato dos deputados e sim para a presidência da Câmara dos Deputados”, disse na última terça-feira ao apresentar suas propostas.

Ele quer marcar posição de repúdio aos adversários, além de Arlindo Chinaglia (PT-SP), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG), a quem acusa de terem sido eleitos com apoio de grupos empresariais, conduta condenada pelo PSOL. Alencar faz campanha contra o que considera regalias do parlamento: combateu o reajuste salarial do Legislativo e diz ser desnecessária tanto a construção de um novo edifício anexo para a Câmara quanto o aumento de verbas de gabinete. Sem promover campanha, Alencar apenas produziu uma carta aberta listando suas principais propostas, entre elas tirar a reforma política do papel e aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Também defende uma reforma tributária progressiva, com taxação de grandes fortunas.

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