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Chefe do tráfico no Morro do Alemão é preso no Rio

Investigação que resultou na Operação Urano começou há oito meses e mobilizou cerca de 300 policiais civis; 15 pessoas foram presas até o momento

Foi preso nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, Edson Silva de Souza, conhecido como “Orelha”, apontado pela polícia e pelo Ministério Público como chefe do tráfico no Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade. Em meio à escalada dos casos de violência no complexo, a Polícia Civil, a Secretaria Estadual de Segurança e o Ministério Público do Rio (MP) deflagraram uma operação nesta manhã para o cumprimento de 41 mandados de prisão contra envolvidos com o tráfico de drogas. Participam da Operação Urano cerca de 300 policiais civis de delegacias distritais e especializadas, além da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil. Até o momento, foram presos “Orelha” e outras catorze pessoas.

Segundo a denúncia oferecida à Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, o grupo é responsável por ataques a ônibus, às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e até a uma Unidade de Pronto Atendimento. Desde o início do ano, seis PMs que trabalhavam nas UPPs do Alemão ou Penha morreram na região dos dois complexos, após ataques de traficantes. A Polícia Militar já havia tentado realizar operação semelhante em julho, com mais de 500 PMs, mas a ação resultou em apenas uma prisão. Houve suspeita de vazamento da operação.

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De acordo com a Secretaria de Segurança (Seseg), a investigação começou há oito meses com o objetivo de “identificar os responsáveis por tentar desestabilizar o processo de pacificação na comunidade”, em um trabalho conjunto da delegacia própria do Alemão, a 45ª DP, com a Subsecretaria de Inteligência. Além dos 41 mandados de prisão, a operação tenta cumprir outros sete mandados de busca e apreensão de adolescentes que também teriam ligação com o tráfico local e com os ataques, segundo a polícia.

A organização é ligada ao Comando Vermelho, facção criminosa que controla o tráfico de drogas no Alemão desde antes da “pacificação”, segundo o MP. Na denúncia, consta a inforação de que o grupo não possuía uma “divisão rígida de tarefas” entre seus integrantes, que em geral se revezavam na execução de suas funções. Abaixo do homem apontado como “gerente geral”, Igor Cristiano Santos De Freitas, o “King” ou “Iguinho”, estavam treze gerentes, dois deles menores de idade. Todos tinham a função de, além de receber carregamentos de trocas, fazer a segurança armada das bocas de fumo e “repelir com violência toda e qualquer atividade da polícia”, informou o MP.

O Alemão está ocupado pelas forças de segurança desde 2010 – inicialmente o Exército e depois as UPPs da Polícia Militar. Segundo a Seseg, os criminosos acompanhavam o deslocamento dos policiais pelas comunidades por meio de troca de mensagens pelo celular. “Muitas vezes, eles ficavam em frente à sede da UPP monitorando os passos dos policiais militares, dificultando a prisão em flagrante de criminosos.”

(Com Estadão Conteúdo)