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‘Cerveró poderia ter fugido para a Espanha’, diz advogado

Nestor Cerveró foi preso por suspeita de lavagem de dinheiro e por tentativa de ocultar seu patrimônio. Ele vai ser interrogado pela PF nesta quinta

Por Daniel Haidar, de Curitiba 14 jan 2015, 19h58

O advogado Edson Ribeiro afirmou nesta quarta-feira que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró poderia ter fugido para a Espanha se quisesse escapar de eventual punição da Justiça. Foi um de seus argumentos para pedir a revogação do mandato de prisão preventiva cumprido pela Polícia Federal na madrugada desta quarta-feira, quando Cerveró voltava de viagem à Inglaterra. A prisão foi decretada porque a Justiça enxergou indícios de que o ex-diretor da Petrobras estaria tentando ocultar patrimônio – e também por suspeitar que ele dispunha de passaporte espanhol, o que acabou se mostrando verdadeiro, e poderia fugir para o exterior.

Dois dias depois de virar réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-diretor tentou, sem sucesso, resgatar quase 500.000 reais de um fundo de previdência privada, apesar de alertado de que sofreria perda de 100.000 reais pelo saque antecipado. A Polícia Federal foi alertada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que foi o estopim do pedido de prisão. No dia 1º de janeiro, o mandado de prisão preventiva foi expedido.

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Como estava fora do país desde a terceira semana de dezembro, o ex-diretor foi preso assim que chegou de Londres, por volta de 0h30 desta quarta-feira, no Aeroporto do Galeão. A Polícia Federal também cumpriu na tarde de terça-feira mandados de busca e apreensão nos endereços de Cerveró enquanto ele estava em voo.

“Ele tem cidadania espanhola. Poderia ir para a Espanha e se furtar de tudo isso. Mas ele veio enfrentar e falar a verdade”, afirmou o advogado Edson Ribeiro, após visitar Cerveró na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O ex-diretor deve prestar depoimento à Polícia Federal na manhã desta quinta-feira. Ele está detido na mesma ala da carceragem do doleiro Alberto Youssef e do lobista Fernando Soares, o Baiano. Os executivos e sócios de empreiteras estão reclusos em outra ala do núcleo de custódia.

Ribeiro vai pedir um habeas corpus nesta quinta para que Cerveró responda às acusações em liberdade. A ação deve ser ajuizada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ao falar com jornalistas, o defensor tergiversou, afirmando apenas que tudo seria explicado e provado. Sobre os três imóveis transferidos aos filhos pelo ex-diretor por valores irreais, o advogado disse o cliente apenas seguiu orientação dos cartórios. Ele também insistiu na versão de que Cerveró alugava o apartamento na Rua Nascimento Silva, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde morava, apesar dos indícios de que o ex-diretor era o verdadeiro dono do imóvel e utilizava uma offshore do Uruguai para ocultar a propriedade. Ribeiro negou ainda que o ex-diretor tenha conta no exterior ou que tenha recebido 53 milhões de reais em propina, como sustenta o Ministério Público em ação penal proposta contra Cerveró.

“Nestor não deixou de pagar tributos (com a transferência dos imóveis). É assim que se faz. Foi orientação do tabelionato. As pessoas nunca quiseram ouvi-lo”, afirmou Ribeiro.

O defensor também voltou a fazer provocações depois de visitar o ex-diretor na carceragem. Pela manhã, Ribeiro indagou por que a presidente da estatal, Graça Foster, também não foi presa pela Polícia Federal em função da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, que resultou em prejuízo superior a 1 bilhão de dólares à estatal. Cerveró é investigado pela Polícia Federal pela suspeita de ter recebido propina pela aprovação da transação, embora esse não tenha sido o motivo da prisão do ex-diretor. No final da tarde, Ribeiro disse que todos os integrantes do conselho de administração da Petrobras, à época da compra de Pasadena, deveriam ser responsabilizados. “Se a presidente da República integrava o conselho de administração à epoca, tem que ser responsabilizada como os demais”, afirmou o advogado.

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