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Cerveró nega ser dono de offshore e ter conta no exterior

Ex-diretor da Área Internacional​ preso pela Polícia Federal disse que não recebeu propina em negócio intermediado pelo lobista Fernando Soares

Por Daniel Haidar, de Curitiba 15 jan 2015, 13h40

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró negou nesta quinta-feira que tenha conta no exterior, como desconfiam os investigadores da Operação Lava Jato. Ele também negou que seja o verdadeiro proprietário de uma offshore do Uruguai, que era dona do apartamento em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde o ex-diretor morava.

“Ele informou que não tem, nem nunca teve, nenhuma conta no exterior”, afirmou o advogado Beno Brandão, que defende Cerveró.

Cerveró prestou depoimento por pouco mais de três horas a quatro delegados da Polícia Federal. Ele foi preso na madrugada de quarta-feira no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pouco depois de desembarcar de um voo de Londres. O ex-diretor respondia em liberdade a uma ação penal na qual era acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas dois dias depois de virar réu, em 16 de dezembro, tentou resgatar quase 500.000 reais de um fundo de previdência privada, o que foi o estopim para a Polícia Federal requisitar a prisão preventiva do ex-diretor.

Entre os motivos da prisão também estão a transferência de três imóveis para os filhos e o fato de ele ter morado de aluguel por cinco anos em um apartamento registrado em nome de uma offshore do Uruguai. Para os investigadores, há indícios de que Cerveró seja o verdadeiro dono do apartamento em que morou e que tenha ocultado a propriedade do imóvel em uma operação de lavagem de dinheiro. Já as transferências dos apartamentos para os filhos foram consideradas tentativas de evitar que tais imóveis sejam penhorados no futuro para o ressarcimento dos prejuízos causados pelo esquema de corrupção da Petrobras. O advogado de Cerveró refuta qualquer tentativa de blindagem patrimonial.

O envolvimento de Cerveró com o petrolão começou a ser caracterizado pelos negócios em que atuou com o lobista Fernando Soares, o Baiano, considerado um operador do PMDB na estatal. Por apenas um contrato intermediado por Soares entre a Petrobras e a Samsung Heavy Industries, Cerveró foi apontado como beneficiário de 53 milhões de reais de propina. A transação foi delatada em depoimentos do lobista Júlio Camargo, que fechou acordo de delação premiada. O ex-diretor negou no interrogatório que tenha recebido qualquer vantagem financeira pela contratação da Samsung. Afirmou ainda que conheceu Soares como um representante de uma empresa do setor energético, a Union Fenosa.

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