Cerco a Moraes e disputa com Lula embalam ato de Flávio na Avenida Paulista
Convocação mira ministro do STF, fragilizado por revelações sobre escândalo do Master, e tenta conectá-lo ao presidente na reta final da corrida ao Planalto
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) lidera nesta segunda-feira, feriado de 7 de Setembro, a partir das 15h, na Avenida Paulista, aquele que deve ser o principal ato de rua da sua campanha ao Palácio do Planalto, embalada pelas novas revelações do escândalo do Banco Master e pelo acirramento da disputa eleitoral a menos de um mês da votação.
A convocação para a manifestação ganhou tração com a divulgação de relatório da Polícia Federal com informações que comprometem o ministro Alexandre de Moraes e dão combustível às críticas ao Supremo Tribunal Federal, um tema caro ao bolsonarismo e à direita brasileira desde os processos que levaram à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro e centenas de pessoas envolvidas nos distúrbios de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.
O relatório mostra indícios de uma proximidade do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na reta final das investigações que levariam o banqueiro à prisão. Também há evidências de que o magistrado participou da elaboração e ajudou a editar um contrato de 131 milhões de reais entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Também ajudou a dar gás ao ato a reação de Moraes ao pedir investigação do colega de Corte e relator da investigação do Master, André Mendonça, ministro indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A conexão do escândalo no STF com a disputa eleitoral tornou-se evidente nos últimos dias, com Flávio Bolsonaro e seus correligionários tratando Moraes e Lula como aliados e, portanto, adversários da direita que precisariam ser derrotados pela pressão das ruas e pelo voto. “Fora, Lula! Fora, Moraes! Essa dupla não tem mais lugar no comando do país”, postou o presidenciável do PL nas redes sociais no último dia 2.
Fora, Lula! Fora, Moraes! Essa dupla não tem mais lugar no comando do País.
É tempo de mudança! O Brasil vai vencer!
7 de setembro é na PAULISTA!
Vote 2️⃣2️⃣🇧🇷 pic.twitter.com/M8mbrHi4wc
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) September 3, 2026
Nos últimos dias, Flávio investiu pesado na convocação para a manifestação, tanto em seus eventos de rua quanto nas redes sociais. Em vídeo postado no dia 3, o presidenciável disparou críticas a Lula e ao Supremo e disse que uma presença maciça de manifestantes seria fundamental para emparedar o que ele chamou de “sistema”. “Se nós fizermos a maior manifestação da história na Paulista, é game over. Acabou para eles”, disse.
Outras figuras importantes do entorno de Flávio também têm investido na convocação para o ato — e conectando-o à cruzada eleitoral contra Lula –, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do PL. “Neste 7 de Setembro, a sociedade precisa reagir, pacífica e democraticamente. É hora de dizer basta às práticas de exceção, restaurar os limites da Constituição e encerrar este triste período de abuso de poder. Nenhuma autoridade está acima da lei. É hora de resgatar o Brasil do arbítrio. Fora Lula! Fora Moraes! “, disse Marinho em nota divulgada sobre o ato.
Enfraquecido, Moraes volta a ser alvo
A manifestação deste domingo na Avenida Paulista retoma com fôlego inédito uma pregação recorrente da direita bolsonarista contra Moraes e o STF. O magistrado e a Corte já foram temas centrais nos atos realizados no Dia da Independência na via também em 2024 e 2025, quando o impeachment do magistrado era considerado por muitos um objetivo altamente improvável — o que pode ter mudado com as novas revelações do escândalo do Master.
A novidade agora é a conexão da crise institucional em Brasília com a proximidade da disputa eleitoral. Flávio trava uma disputa acirrada com Lula, segundo todas as últimas pesquisas. Na maioria dos cenários, ambos estão empatados tecnicamente em um eventual segundo turno, o que projeta uma disputa apertada como foi em 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro por uma vantagem de 1,8 ponto percentual.
Nesse sentido, a situação difícil de Alexandre de Moraes e o fato de o STF ter sido colocado na berlinda talvez de forma inédita em sua história devem ajudar a insuflar a militância na reta final da campanha. Não há expectativa oficial de público para o ato, mas Flávio tem dito nas convocações que a manifestação será “gigante”. Ao contrário de outros anos, quando havia manifestações em várias cidades do país no 7 de Setembro, agora o bolsonarismo vai concentrar forças na Avenida Paulista.
Diversas lideranças da direita são esperadas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de candidatos ao Senado, à Câmara e aos governos estaduais pelo país, como o ex-juiz Sergio Moro (Paraná) e o deputado estadual Douglas Ruas (Rio de Janeiro).
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal, é esperada, mas não confirmou presença — se comparecer, será o primeiro ato público dela ao lado de Flávio desde que reataram relações após um rompimento barulhento em junho após críticas em vídeo feitas pela ex-primeira-dama ao enteado.
O ato deve começar às 15h. O trio elétrico com Flávio e seus aliados, de onde serão feitos os discursos, ficará próximo ao Masp. O evento deverá ter transmissão ao vivo nos canais oficiais do presidenciável do PL.





