Centrão e PL comandam ‘novo orçamento secreto’, aponta Transparência Brasil
Sete partidos foram responsáveis pelo pagamento de R$ 1,3 bilhão em emendas com remetente e destinatário ocultos
Um estudo feito pela organização não-governamental Transparência Internacional e divulgado nesta segunda-feira, 13, mostra que o PL e siglas do chamado Centrão comandaram a liberação de 1,3 bilhão de reais em emendas de liderança sem identificação de seus autores. De acordo com o estudo, essa verba é paga seguindo o mesmo mecanismo do “orçamento secreto” e não tem “rastreabilidade ponta a ponta”, burlando o que foi estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os partidos que lideram a lista divulgada pelo estudo são PP (que, sozinho, movimentou mais de 427 milhões de reais em emendas de liderança), União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos, nessa ordem. Veja ao final da matéria os valores movimentados pelas siglas.
O pagamento dessas emendas é atrelado à liderança partidária e esconde o nome do parlamentar que é titular da verba. Na prática, elas aparecem registradas em nome apenas dos líderes e, em muitos casos, não têm um destinatário final claro, que fica oculto pela burocracia do sistema de empenho e pagamento.
De acordo com a Transparência Brasil, os beneficiários de 821 milhões de reais não foram localizados. Essas emendas representam 16% dos recursos direcionados pelas comissões da Câmara dos Deputados em 2025 — só da Comissão de Saúde saíram 818,1 milhões de reais.
Caciques na mira
O orçamento secreto, agora proibido, funcionava de maneira similar. O ministro Flávio Dino também proibiu, no final de 2024, o pagamento de emendas que não possam ser rastreadas do início ao fim da cadeia de destinação e pagamento. Na última semana, o magistrado bloqueou 6,1 milhões de reais das contas do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e 119 milhões de reais das do cacique do PL, Valdemar Costa Neto.
Os dois, de acordo com as investigações da Polícia Federal, estavam arbitrando o destino de emendas milionárias, mesmo sem possuírem cargos eletivos na Câmara. No caso de Cunha, a PF afirma que há suspeita de que parcela das emendas tenham sido destinadas a financiar a pré-campanha dele a deputado federal.
Veja quanto cada partido movimentou em emendas de liderança
(segundo estudo da Transparência Brasil)
- PP: R$ 427,7 milhões
- União Brasil: R$ 288,7 milhões
- PL: R$ 254,3 milhões
- Republicanos: R$ 218,5 milhões
- Avante: R$ 30 milhões
- Solidariedade: R$ 22 milhões
- Podemos: R$ 19 meleiilhões







