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Caso Alstom: Justiça desbloqueia bens de empresa suspeita

Focco Tecnologia teve R$2 mi suspensos em maio sob suspeita de propina no caso do cartel de trens e metrô em São Paulo

A Justiça Federal afastou o bloqueio de 2 milhões de reais da empresa Focco Tecnologia, que estavam sequestrados devido à suspeita de pagamento de propina no caso do cartel de trens no Estado de São Paulo. O sócio da empresa é Ademir Venâncio de Araújo, ex-diretor da Companhia Paulista de Trens e Metrô (CPTM), que também tinha como sócio, até 2013, João Roberto Zaniboni, igualmente ex-diretor da estatal. Os dois foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o cartel de trens.

A multinacional francesa Alstom, também investigada pela PF, foi a responsável pelo pagamento dos 2 milhões de reais à empresa Focco. O juiz Marcelo Cavali reconsiderou a decisão favorável depois que os advogados da empresa conseguiram comprovar que o valor recebido era, de fato, referente aos serviços prestados pela Focco.

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Uma outra figura pública investigada sob suspeita de ter recebido propina da mesma multinacional é Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), que pediu afastamento do cargo nesta quarta-feira. Como consta em seu pedido, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quarta, o conselheiro alega que precisa desses dias longe das funções para elaborar sua defesa.

Marinho é acusado de ter recebido 2,7 milhões de dólares em propinas da Alstom. O conselheiro é investigado por envolvimento no esquema que fraudou licitações de trens e metrô em São Paulo. O Ministério Público de São Paulo (MP) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão à frente da investigação. Marinho só deverá voltar ao cargo no TCE no dia 13 de junho e poderá, imediatamente, prorrogar o período de afastamento.

Marinho exerce a função de conselheiro do TCE desde 1997. Ele também é ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB), e já foi alvo de duas investigações: uma criminal, pelo STJ, e outra por improbidade administrativa, pelo MP. O conselheiro teve, inclusive, uma conta bancária bloqueada em um banco na Suíça com o valor de 1,1 milhão de dólares. O valor teria sido depositado por lobistas usados pela Alstom.

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(Com Estadão Conteúdo)