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Cardozo ameaça punir abusos de grevistas da PF

Ministro da Justiça demonstra irritação com a operação padrão em aeroportos e portos e afirma que há intenção de coibir "ilegalidades" com medidas disciplinares e judiciais

Por Da Redação 16 ago 2012, 18h46

O governo federal se prepara para adotar medidas mais duras em relação à greve dos policiais federais. Nesta quinta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, demonstrou irritação com as operações padrão realizadas em aeroportos, portos e na fronteira e anunciou a intenção de punir “abusos e ilegalidades” com medidas disciplinares e, se necessário, judiciais. Na tarde desta quinta-feira, uma nova manifestação prejudica o movimento nos aeroportos.

“Uma coisa é o direito à greve, o livre reivindicar. Outra coisa é o abuso, a ilegalidade. Na medida em que situações de ilegalidade se verificam e abusos ocorrem, tomaremos as medidas cabíveis. Quando o exercício de competências legais é usado para criar obstáculos à população, caracteriza abuso do poder e ilegalidade. Temos que tomar medidas disciplinares e judiciais, se for o caso”, disse o ministro, que esteve no Rio pela manhã para a abertura de um seminário internacional de procuradores-gerais do Ministério Público e antes do meio-dia embarcou de volta para Brasília.

Para Cardozo, “operação padrão” não é a melhor expressão para definir o movimento em curso, pois há, segundo ele, um avanço no que seriam limites aceitáveis para a categoria pressionar o governo. No evento do Ministério Público, o ministro disse que aposentados foram chamados a reforçar a operação padrão.

“Em aeroportos e estradas temos situações que ultrapassam o limite da legalidade, como uma pessoa aposentada que vai a uma unidade exercer poder de polícia que não cabe a ela. É uma ilegalidade afrontosa. Quando utilizo expedientes aparentemente corretos para criar obstáculos à população, quando uso minha competência legal para criar tumultos, é ilegalidade. Posso chamar do que quiser, operação padrão, o que for. Se estou usando minha competência legal, pela qual sou remunerado, para finalidade diversa, isso é abuso. Como ministro da Justiça, eu tenho que garantir o direito de manifestação, o direito de greve, nos termos da lei, mas há situações ilícitas de desvio e abuso do poder inaceitáveis”, insistiu Cardozo.

O ministro disse que as negociações continuam, coordenadas pelo Ministério do Planejamento, com a colaboração do Ministério da Justiça e outros. “As negociações têm que fluir para chegarmos a bom termo”, concluiu.

(Com Agência Estado)

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