Candidatura do PT em Minas deixa chapa de Lula com poucas opções de aliança
Deputado Patrus Ananias (PT-MG) disputará o governo estadual em cenário fragmentado, com muitos outros nomes no pleito
Após o PT definir que terá um candidato próprio na disputa pelo governo de Minas Gerais, o partido teve suas possibilidades de formação de alianças eleitorais no estado reduzidas a apenas duas.
Com a mudança do projeto mineiro — que antes era o de formar uma chapa de frente ampla, com um candidato de centro encabeçando-a, e agora passa a ser de esquerda –, o PT perdeu as chances que tinha de se aliar a grandes partidos, como o MDB, que aceitava discutir uma aliança com o petismo desde que ficasse com a cabeça de chapa.
Com o deputado Patrus Ananias (PT) disputando o governo e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) concorrendo a uma das duas vagas ao Senado, o projeto petista fica demasiado “vermelho” e deve afastar legendas de centro e de direita. Além disso, sobram apenas mais dois espaços na chapa — o de vice e o da segunda cadeira ao Senado.
As possibilidades na esquerda são escassas hoje. Com o PDT com uma candidatura própria, do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que corre para fazer suas próprias alianças amplas, restam ao PT somente o PSB e a federação Rede-PSOL.
“A gente já tem conversas com o PSB, bastante avançadas, quem sabe a gente consiga até repetir a dobrada nacional [Lula do PT com o vice Geraldo Alckmin do PSB] (…). Estamos conversando com o MDB também e com a federação Rede-PSOL, que está marcada uma conversa. Nos próximos dias, vamos abrir esse diálogo para tentar construir a nossa chapa”, anunciou a deputada estadual Marilene Alves, a Leninha, presidente do diretório mineiro do PT.
Nos bastidores já é dado como certo que a vaga de vice deverá ficar com o PSB, por causa dos acordos nacionais. No entanto, os socialistas tentam se articular como podem para escapar de tal posição, visto que a chapa tende a ser menos competitiva do que outras formadas a partir de um acordo mais amplo de legendas. Além disso, não ter candidato próprio ao governo ou, ao menos, disputar o Senado seria prejudicial para o PSB do ponto de vista da eleição de sua bancada parlamentar, que teria candidatos com menos visibilidade.
O ex-procurador Jarbas Soares é um dos principais nomes do PSB que tentava disputar o governo. Na semana passada, já com rumores de que o PT teria uma candidatura própria, ele se reuniu com lideranças do MDB e explicou que não gostaria de ser levado em consideração para vice, mas que aceitaria disputar o Senado.
Já o MDB nega que irá abandonar a candidatura de Gabriel Azevedo e negociar outra posição com o PT. A negociação que era feita até aqui era de o PT entrar na chapa deles, com Marília disputando o Senado. Na semana passada, o MDB lançou seu programa de governo para Minas Gerais.







