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Candidata a deputada, ex-mulher de Bolsonaro não se elege

Cristina Bolsonaro, a "dama de ferro", terminou a disputa pela Câmara no 202º lugar

Após receber apenas 4.555 votos, Cristina Bolsonaro, ex-mulher do deputado Jair Bolsonaro (PSL), não conseguiu se eleger deputada federal. Ela era candidata pelo Podemos, o mesmo partido do senador e ex-jogador Romário, que acabou a disputa pelo governo do Rio de Janeiro em quarto lugar.

Ana Cristina Siqueira Valle manteve uma união estável com Bolsonaro por dez anos e protagonizou um turbulento processo de separação. Conforme VEJA revelou, ela ingressou com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2007 na qual acusava o deputado de furtar bens de seu cofre em uma agência no Banco do Brasil, que, entre joias e dinheiro vivo, totalizavam 1,6 milhão de reais em valores atualizados; de ter um “comportamento explosivo” e uma “desmedida agressividade” e, ainda, de manter uma “próspera condição financeira”, com uma renda mensal que chegava a 100 000 reais à época – cerca de 183 000 em valores atualizados. No processo de separação, a ex-mulher apresentou uma lista com o detalhamento do patrimônio do ex-capitão que somava, à época, 4 milhões de reais. Em 2006, Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral apenas 433 934 reais.

Depois do impasse, Bolsonaro e Cristina acabaram fazendo um acordo e o processo foi arquivado. Agora, ela nega todas as acusações que fez no passado. Como os dois não foram formalmente casados, a ex não carregava o sobrenome do deputado, mas passou a adotá-lo quando decidiu ingressar na política.

Cristina não fez uma grande campanha. Ela concentrou-se principalmente em Resende (RJ), cidade onde mora e que abriga a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), e não havia feito nenhum ato de rua até setembro, quando Bolsonaro sofreu um atentado em Juiz de Fora (MG). Nos bastidores, fala-se que a ex-mulher, que se autointitulava “A dama de ferro” em seu slogan, estava mais dedicada a ajudar na eleição do deputado e a minimizar a resistência contra o candidato principalmente no eleitorado feminino. Depois de acusar seu ex-marido de ser agressivo, ela costumava repetir, em vídeos, a mesma frase: “Sou mulher, sou ex-esposa e voto nele”.