Campanha de Flávio mira ‘dor real’ de famílias para atacar Lula
Problemas sem solução na área de segurança pública e críticas à perda do poder de compra serão linha-mestra de propaganda do PL
A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro já começa a colocar nas redes sociais e trata como grande aposta para o início da propaganda eleitoral em rádio e televisão, a partir de 16 de agosto, peças sobre a “dor real” das famílias de baixa renda e classe média sob o governo Lula.
A ideia é bater forte na conjunção de dois fatores — os problemas até hoje sem solução na área de segurança pública, traduzidos no medo com a violência urbana, e as críticas a uma perda do poder de compra, que, de acordo com o roteiro de comunicação preparado no QG eleitoral do Zero Um, obriga as pessoas a trabalhar mais para manter seu padrão de consumo — , resumindo-os como uma queda generalizada na qualidade de vida da população.
Apesar de indicadores que distanciam o país da situação vivida em períodos de crise, como a baixa taxa de desemprego, o esforço publicitário dentro da campanha de Flávio coaduna com dados de pesquisas sobre a percepção dos eleitores, como a última divulgada pela Quaest, mostrando que, para 43% dos entrevistados, a economia piorou nos últimos doze meses, enquanto só 20% responderam que ela melhorou. Para 33%, ficou tudo igual de um ano para cá.
Uma das vertentes para desferir ataques a Lula vai ser mostrar cenas como a da frustração de um casal que precisa do Bolsa Família para sobreviver, sonhava ver seus filhos terem uma vida melhor que a sua e conseguirem trabalhos mais qualificados para não dependerem do programa de transferência de renda, mas, no fim das contas, sofre por vê-los tendo as mesmas dificuldades e não encontrar a porta de saída do benefício. Uma pergunta-chave em inserções com esse mote será: “Você quer que seu filho tenha uma vida melhor que a sua ou a mesma vida que você teve?”
Essa linha de comunicação também será direcionada à classe média, produzindo peças guiadas pelo argumento de que “a pior dor que tem para um pai é perceber que trabalhou a vida inteira para dar o melhor estudo para seu filho, e, agora, teve que diminuir o padrão da escola” ou, até, o padrão do plano de saúde da família. Sem tropeçar no economês, que periga entediar e distanciar o eleitorado, os roteiros buscarão associar a disparada da dívida pública sob Lula, de 71,7% para 81,9% do PIB, ao encarecimento dos alimentos no supermercado e à carência de investimentos que trariam crescimento e prosperidade ao país.
Um dos exemplos coletados em pesquisas qualitativas para inspirar esse discurso na propaganda eleitoral é o de uma moradora da periferia de uma capital brasileira que acorda às 5h da manhã para pegar o ônibus para o trabalho, sofre um assalto, perde o celular e não tem dinheiro para comprar um novo. A sensação de pessoas assim, segundo interlocutores da campanha presidencial do PL, é de que ninguém as protege. A avaliação no QG do Zero Um é que a soma desses relatos e a perda de qualidade de vida impedem Lula de diminuir sua rejeição para menos de 50%.







