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Caiado lança candidatura com desafio de atacar bolsonarismo e buscar ‘voto útil’

Ex-governador de Goiás será confirmado candidato à Presidência em convenção partidária neste domingo

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 26 jul 2026, 08h41
Caiado lança candidatura com desafio de atacar bolsonarismo e buscar ‘voto útil’ Priorizar nos meus resultados Google

A primeira promessa do ainda pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado parecia ter saído da boca de um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em março, quando teve o nome anunciado como escolha preliminar do PSD para disputar o Palácio do Planalto, anunciou que, se eleito, promoveria uma “anistia ampla, geral e irrestrita”, um evidente aceno a bolsonaristas que nunca digeriram bem o lançamento do nome do senador Flávio Bolsonaro, que teve a postulação à Presidência ratificado neste sábado, 25.

O Zero Um foi confirmado candidato do Partido Liberal em um ato sem caciques do Centrão e sem o anúncio da tão alardeada vice mulher, ativo com o qual conta para minar resistências de um eleitorado que, só em 2026, chega a quase 53% do total nacional, ou 84 milhões de votantes.

O discurso pró-anistia, moldado por Caiado para cortejar eleitores do espectro de direita, significava em um primeiro momento não bater de frente com o espólio de votos do ex-presidente, cobiçado desde o início do ano diante da pulverização de candidatos de oposição a Lula. Acenava, pois, sem melindrar diretamente bolsonaristas de diferentes gradações na expectativa de que pesquisas de intenção de votos o catapultassem na preferência do eleitor.

Não foi exatamente o que aconteceu. Com uma disputa marcada pelo desalento, à tão sonhada terceira via até agora falta o primordial: voto. Caiado tem apenas 3% da preferência do eleitorado segundo a Quaest; 7% de acordo com a Real Time Big Data e 4% conforme o Datafolha.

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Como o senador Flávio Bolsonaro, com o qual um dia chegou a cogitar compor um eventual governo vitorioso em 2027, está em trajetória de queda há quatro levantamentos seguidos da Quaest, Caiado enxergou a possibilidade de, em um eventual cenário de segundo turno, tomar o lugar do candidato do PL no campo da direita e bater o hoje líder Lula.

Para isso, atacou a falta de experiência de gestão do primogênito do ex-presidente e ampliou críticas ao papel dos Bolsonaros na imposição do tarifaço a produtos brasileiros. Ainda chamou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro de “pateta da política brasileira” depois que o Zero Três conseguiu um green card e desqualificou o Zero Um por recorrer a uma carta do pai para aplacar entreveros políticos dentro da família e por divulgar falsidades sobre urnas eletrônicas.

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Longe de ser um outsider, Ronaldo Caiado quer, antes de tudo, ser a opção primeira para o chamado voto útil. A rejeição a Flávio Bolsonaro atingiu 57% dos entrevistados pelo último levantamento da Quaest; a de Lula foi a 50%. Entre os independentes, aqueles que o candidato do PSD sonha conquistar e nicho crucial em uma eleição polarizada como a de 2026, o Zero Um chega a 68% de rejeição. No Datafolha, as rejeições de Flávio e Lula chegam a 48% e 46%, respectivamente.

Tema recorrente em campanhas presidenciais, o voto útil prega que o eleitor escolha no primeiro turno aquele que, no turno suplementar, tenha potencial para derrotar o incumbente. Embora em empate técnico, a estratégia de Caiado tem como base os resultados da pesquisa Real Time Big Data, que mostrou que, no cenário estimulado, o ex-governador aparece numericamente à frente de Lula no segundo turno, com 44% contra 43% das intenções de votos.

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