Cacique ‘sincerão’: relembre seis declarações polêmicas de Valdemar Costa Neto, presidente do PL
Líder do partido que abriga os Bolsonaro é conhecido por falas controversas que, quase sempre, geram problemas ao seu campo político
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é uma figura peculiar na política brasileira. Apesar de comandar a principal legenda do bolsonarismo atualmente, ele também já esteve na base dos primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — o vice-presidente José Alencar era filiado ao PL em 2003 — e foi ministro dos Transportes de Dilma Rousseff. Mas, para além disso, ele é conhecido por ser um político que costuma não ter ‘papas na língua’ nas entrevistas que concede à imprensa e pelos “sincericídios” que comete com frequência e que, não raro, lhe causam problemas políticos.
Nesta terça-feira, 21, por exemplo, ao ser entrevistado pela CNN Brasil, Valdemar disse que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não estava pronto para disputar o cargo e que vem, agora, ajustando o seu projeto. “O Flávio não estava preparado para ser candidato, então ele foi escolhido pelo [Jair] Bolsonaro e ele não tinha feito uma estrutura, um trabalho, antes para ser candidato à Presidência da República. Ele foi escolhido e agora é que a gente está conseguindo andar nisso aí, nesse assunto [a aliança com outros partidos]”, afirmou.
Dias antes, Valdemar criou uma confusão com colegas caciques de outras legendas ao dizer, em entrevistas, que indicava o repasse de emendas parlamentares, mesmo sem ser deputado ou senador, e que todos os presidentes de partidos faziam a mesma coisa.
O ministro Flávio Dino, relator de investigação sobre emendas no STF, disse que desconhecia a prática e intimou 21 dirigentes partidários a se manifestarem. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, rebateu a afirmação de Valdemar. O próprio presidente do PL teve que modular a sua declaração em defesa por escrito ao Supremo.
Com o mesmo tino para a polêmica, em entrevista para VEJA em janeiro deste ano, Valdemar também afirmou que se a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não se engajassem na campanha de Flávio, o candidato não teria chances de vencer o pleito. “Michelle, Tarcísio e Nikolas precisam estar na linha de frente da candidatura do Flávio, porque eles têm voto. Eles são importantíssimos para nós, a Michelle com as mulheres, o Tarcísio no maior colégio eleitoral. Ninguém [do PL] ganha a eleição sem esse povo trabalhando, não”, declarou o cacique ao ser questionado à época sobre a importância desses cabos eleitorais.
Em outra situação, durante o auge do escândalo que ligava Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando um áudio do senador pedindo milhões de reais ao banqueiro veio à tona, Valdemar chegou a dizer publicamente que o presidenciável, depois da troca de mensagens, “foi visitar [Vorcaro] depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [E já sabendo que] ele era investigado, mas não foi condenado”. Dias antes, o senador havia dito algo diferente, que tinha visitado o banqueiro para “colocar um ponto final” nas negociações, e não voltar a pedir recursos.
Nesse caso, a fala foi usada politicamente pelo PT contra Flávio Bolsonaro. O partido fez uma publicação nas redes sociais, na qual usou o vídeo de Valdemar dando a declaração e classificando-a como “sincericídio”, analogia a uma fala muito sincera que pode dar grandes problemas.
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Já em setembro de 2025, Valdemar da Costa Neto afirmou que Jair Bolsonaro realmente havia planejado um golpe de estado — situação que, apesar da condenação do ex-presidente no STF, costuma ser negada pelos bolsonaristas –, mas que, na sua opinião, ele não poderia ter sido culpabilizado pelo fato de não ter conseguido executar o plano. “De fato, houve um planejamento, mas nunca se concretizou. No Brasil, a lei diz: ‘Se você planejar um assassinato e não fizer nada, não há crime’. O mesmo vale para o golpe. O problema maior foram os acontecimentos do 8 de Janeiro, e o Supremo insiste em chamar aquilo de golpe. É um absurdo: pessoas com pedaço de pau, um bando de desordeiros quebrando coisas, e dizem que isso foi golpe”, disse o presidente do PL no evento Rocas Festival, em Itu (SP), voltado ao setor de cavalos de luxo.
A fala foi criticada por bolsonaristas e também chegou a ser usada politicamente pelo PT. Diante da repercussão, Valdemar negou que houvesse dito a frase, tentando explicar que teve intenção de falar com outro sentido.
SINCERICÍDIO
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confessou: “houve planejamento de golpe”. E, ao tentar minimizar, comparou com o planejamento de um assassinato, dizendo que, se não se concretiza, não é crime. Essa metáfora, no entanto, é devastadora: ela escancara a…
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 15, 2025
Em uma sexta situação pincelada pela reportagem, dentre tantas outras que Valdemar coleciona, o político chegou a dizer que, se o projeto de lei que põe fim à escala de trabalho 6X1 não for aprovado no Congresso Nacional, a eleição já estaria perdida para Flávio. “Se nós não aprovarmos o 6×1, Lula ganha eleição, e, no ano que vem, ele vai fazer 4X1 e afundar o país”, falou em entrevista à Jovem Pan em maio.







