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Cachoeira usou Demóstenes para se aproximar de senador

Em diálogo gravado pela PF, chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás diz ter negócios a tratar no Detran do Pará, sob a influência de Mário Couto

Por Rodrigo Rangel e Gabriel Castro - 2 abr 2012, 19h24

Conversas inéditas interceptadas pela Polícia Federal e obtidas por VEJA mostram que o empresário Carlinhos Cachoeira pediu ajuda a Demóstenes Torres (DEM-GO) para se aproximar do senador Mário Couto (PSDB-PA). A influência de Couto no Detran do Pará era de interesse do chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás.

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O diálogo ocorreu em 11 de abril de 2011, às 16h06. Cachoeira pergunta se Demóstenes tem um bom relacionamento com o senador paraense. A resposta é afirmativa: “Muito bom”. O empresário então diz: “Vou precisar de um negócio aí…”. Segundos depois, a conversa é retomada: “O Detran lá é dele”, diz Cachoeira. “Ah, então tá bom. Aí você me avisa o que é”, responde Demóstenes.

A conversa reforça os indícios de que o democrata atuava corriqueiramente para atender os interesses do amigo, preso em 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Cachoeira é acusado de chefiar uma quadrilha que controlava os jogos ilegais em Goiás e, para se manter impune, corrompia policiais federais, civis e militares.

Até agora, os áudios divulgados pela imprensa mostram que o senador goiano pedia e concedia favores a Cachoeira. Demóstenes abria portas para o amigo em órgãos do Executivo e defendia seus interesses no Congresso Nacional. O senador também teve o nome mencionado em negociações financeiras do grupo que controlava os caça-níqueis em Goiás – numa das conversas, revelada pelo Jornal Nacional, o chefe do bando faz referência a valores e cita “O 1 milhão do Demóstenes”. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar o senador, que também corre o risco de ser expulso do DEM e cassado pelos colegas.

Por meio de sua assessoria, o senador Mário Couto negou ter recebido de Demóstenes qualquer pedido de interesse de Cachoeira – até porque, segundo o parlamentar paraense, a relação entre ele e o colega de Goiás não era próxima. Demóstenes Torres tem se mantido em silêncio.

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Ouça a conversa e veja a transcrição do diálogo:

11 de abril de 2011 – 16h06

(Cachoeira pede ajuda a Demóstenes para abrir um canal com senador Mario Couto; interesse em negócio no Detran do Pará, que segundo o contraventor é comandado por aliados de Couto)

Demóstenes – Fala, professor.

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Cachoeira — Como é que é o relacionamento seu com aquele senador lá do Pará, o Mario Couto?

Muito bom. Mario, inclusive o povo acha que, que… depois eu te falo. Mas eu te ligo. É muito bom meu relacionamento com ele.

Eu vou precisar de um negócio aí…

(…)

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O Detran lá é dele.

Ah, então tá bom. Aí você me avisa o que é.

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