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Brizola Neto será o novo ministro do Trabalho

Nomeação contraria a promessa de Dilma de compor um ministério de técnicos. Ele não só carece de credenciais para o cargo como, aos 33 anos, tem ideias tão encarquilhadas quanto as de seu avô, Leonel Brizola

Por Luciana Marques 30 abr 2012, 12h03

A presidente Dilma Rousseff escolheu o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) para o comando do Ministério do Trabalho. A decisão foi tomada em reunião entre Dilma e o presidente do PDT, Carlos Lupi, na manhã desta segunda-feira, em Brasília. A informação foi confirmada oficialmente pela Presidência, por meio de nota. “A presidente manifestou confiança de que Brizola Neto, ex-secretário do Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, ex-vereador e deputado federal pelo PDT, prestará grande contribuição ao país”, diz o texto. Na realidade, a nomeação contraria a promessa de Dilma de compor um ministério de técnicos. Brizola Neto não só carece de credenciais para o cargo como, aos 33 anos, tem ideias tão encarquilhadas quanto as de seu avô, Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro e fundador do PDT. É, como o avô, um homem com as ideias radicais, fora de lugar e fora de época. A nomeação de Brizola Neto acontece por uma urgência temporal, às vésperas da comemoração do Dia do Trabalho, na terça-feira. O Planalto avaliou que não ficaria bem para o governo passar o dia sem indicar um nome para a pasta e decidiu acelerar as negociações com o PDT. O novo ministro participa, já amanhã, dos festejos de Primeiro de Maio em São Paulo. A indefinição sobre o cargo teve início em dezembro do ano passado, com a demissão de Lupi, envolvido em denúncias de corrupção. O ministério foi ocupado interinamente por Paulo Roberto dos Santos Pinto, secretário-executivo da gestão anterior. Após a reunião com Lupi na manhã desta segunda, Dilma conversou com Brizola Neto no Palácio do Planalto. No final da manhã, Lupi e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, dispararam telefonemas a políticos do PDT para comunicar a decisão da presidente Dilma. A posse do novo ministro está marcada para 11h da quinta-feira. As centrais sindicais, especialmente a Força Sindical e a CUT, vinham pressionando a presidente Dilma a nomear Brizola Neto, aliado dos sindicalistas. O deputado havia se comprometido, caso fosse nomeado, a endurecer as regras para a criação de sindicatos – o que concentraria o poder nas mãos das grandes centrais. Com a demora na indicação, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, chegou a ameaçar deixar a base aliada. Entretanto, assim como outros parlamentares do PR, ele nunca cumpriu a promessa. Na lista tríplice do PDT, foram indicados, além de Brizola Neto, o deputado Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral da legenda, Manoel Dias. Mas o próprio partido estava dividido em relação aos nomes. Enquanto Paulo Pereira defendia a nomeação de Brizola, Lupi rejeitava a indicação. O novo ministro do Trabalho é neto do ex-governador fluminense Leonel Brizola, fundador do PDT. Brizola Neto foi eleito para a Câmara dos Deputados em 2007. Em 2011, licenciou-se do cargo para ocupar a Secretaria de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, função que exerceu durante dois meses. Filiado à legenda desde 1997, seu primeiro cargo eletivo foi como vereador do Rio de Janeiro, em 2005. Leia a íntegra da nota divulgada pela Presidência:

A presidenta da República, Dilma Rousseff, convidou hoje o deputado Brizola Neto para assumir o Ministério do Trabalho e Emprego. A presidenta manifestou confiança de que Brizola Neto, ex-secretário do Trabalho e Renda do Rio de Janeiro, ex-vereador e deputado federal pelo PDT, prestará grande contribuição ao país.

A presidenta agradeceu a importante colaboração do ex-ministro Carlos Lupi, que esteve à frente do ministério no primeiro ano de seu governo, e do ministro interino Paulo Roberto dos Santos Pinto na consolidação das conquistas obtidas pelos trabalhadores brasileiros nos últimos anos.

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