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Brasil é destroçado por um governo de traidores, diz Lula em carta

Ex-presidente critica propostas de privatizações, medidas de combate ao desmatamento da Amazônia e política externa do governo Bolsonaro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil “está sendo destroçado por um governo de traidores”. Em carta divulgada em seu site nesta quarta-feira, 4, o petista criticou as políticas de privatizações e de combate ao desmatamento do governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Já provamos, ao longo da história, que é possível enfrentar o atraso, a pobreza e a desigualdade, com soberania e no rumo da justiça social. Mas hoje o país está sendo destroçado por um governo de traidores. Estão entregando criminosamente as empresas, os bancos públicos, o petróleo, os minerais e o patrimônio que não lhes pertence, mas ao povo brasileiro”, diz Lula.

O petista, que está preso há mais de 500 dias na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, afirmou que o “pretexto de reduzir a presença do estado” faz com que “o que foi construído com esforço de gerações” esteja ameaçado de desaparecer ou ser privatizado, “em prejuízo ao país”. “É uma traição inominável matar o BNDES, vender o Banco do Brasil e enfraquecer a Caixa Econômica, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável, à agricultura e à habitação”, diz.

Sobre a Amazônia, ele afirma que o bioma está ameaçado por “um governo que não sabe e não quer defendê-la; que incentiva o desmatamento, não protege a biodiversidade nem a população que depende da floresta viva”.

Política externa

Lula também fez críticas à política externa do governo Bolsonaro, que em sua avaliação, “rebaixou a diplomacia a um assunto de família e de conselheiros que dizem que a terra é plana”. Mesmo sem citar nomes, o petista se refere à possibilidade de o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ser indicado ao cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Na carta, o ex-presidente diz que a aliança de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi responsável pela entrega, “a troco de nada”, da Base de Alcântara e da troca das “conquistas na OMC (Organização Mundial do Comércio) pela ilusão da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Leia abaixo a íntegra da carta de Lula:

Companheiras e companheiros de todo o Brasil,

Sempre acreditei que o povo brasileiro é capaz de construir uma grande Nação, à altura dos nossos sonhos, das nossas imensas riquezas naturais e humanas, nesse lugar privilegiado em que vivemos. Já provamos, ao longo da história, que é possível enfrentar o atraso, a pobreza e a desigualdade, com soberania e no rumo da justiça social Mas hoje o país está sendo destroçado por um governo de traidores. Estão entregando criminosamente as empresas, os bancos públicos, o petróleo, os minerais e o patrimônio que não lhes pertence, mas ao povo brasileiro. Até Amazônia está ameaçada por um governo que não sabe e não quer defendê-la; que incentiva o desmatamento, não protege a biodiversidade nem a população que depende da floresta viva.

Nenhum país nasce grande, mas nenhum país realizará seu destino se não construir o próprio futuro. O Brasil vai completar 200 anos de independência política, mas nossa libertação social e econômica sempre enfrentou obstáculos dentro e fora do país: a escravidão, o descaso com a saúde, a educação e a cultura, a concentração indecente da terra e da renda, a subserviência dos governantes a outros países e a seus interesses econômicos, militares e políticos.

Apesar de tudo, ao longo da história criamos a Petrobras, a Eletrobrás, o BNDES e as grandes siderúrgicas hidrelétricas; os bancos públicos que financiam a agricultura, a habitação e o ensino; a rede federal e estadual de universidades, a Embrapa, o Inpe, o Inpa, centros de pesquisa e conhecimento, todo um patrimônio a serviço do país.

O que foi construído com esforço de gerações está ameaçado de desaparecer ou ser privatizado em prejuízo do país, como fizeram com a Telebrás, a Vale, a CSN, a Usiminas, a Rede Ferroviária, a Embraer. E sempre a pretexto de reduzir a presença estado, como se o estado fosse um problema quando, na realidade, ele é imprescindível para o país e o povo.

O mercado não vai proteger um dos maiores territórios do mundo, o subsolo e a plataforma continental; a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal. Não vai oferecer acesso universal à educação, saúde, seguridade social, segurança pública, cultura. O mercado não vai construir um país para todos.

A Petrobras está sendo vendida aos pedaços a suas concorrentes estrangeiras. Já entregaram dois gasodutos estratégicos, a distribuidora e agora querem as refinarias, para reduzi-la a mera produtora de petróleo bruto e depois vender o que restou. Reduzem a produção de combustíveis aqui para importar em dólar dos Estados Unidos. E por isso disparam os preços dos combustíveis e do gás para o povo.

Se a Petrobras fosse um problema para o Brasil, como a Rede Globo diz todo dia, por que tanta cobiça pela nossa maior empresa e pelo pré-sal, que os traidores também estão entregando? Agora mesmo querem passar a eles os poços da chamada Cessão Onerosa, onde encontramos jazidas muitas vezes mais valiosas que as ofertas previstas no leilão.

Problema é voltar a comprar lá fora os navios e plataformas que sabemos fazer aqui. É a destruição da cadeia produtiva de óleo e gás, pela ação do governo e pelas consequências do que fez um juiz em Curitiba. Enquanto fechava acordos com corruptos, vendendo a falsa ideia de que combatia a corrupção, 2 milhões de trabalhadores foram condenados ao desemprego, sem apelação.

Os trabalhadores e os mais pobres são os que mais sofrem com essa traição. Cada pedaço do país e das empresas públicas que vendem, a qualquer preço, são milhões de empregos e oportunidades roubadas dos  brasileiros.

É uma traição inominável matar o BNDES, vender o Banco do Brasil e enfraquecer a Caixa Econômica, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável, à agricultura e à habitação. O ataque às universidades públicas também é contra a soberania nacional, pois um país que não garante educação pública de qualidade, não se conhece nem produz conhecimento, será sempre submisso e dependente das inovações criadas por outros.

Bolsonaro entregou nossa política externa aos Estados Unidos. Deu a eles, a troco de nada, a Base de Alcântara, uma posição privilegiada em que poderíamos desenvolver um projeto aeroespacial brasileiro. Rebaixou a diplomacia a um assunto de família e de conselheiros que dizem que a terra é plana. Trocou nossas conquistas na OMC pela ilusão da OCDE, o clube dos ricos que o desprezam. Anunciou um acordo com a União Europeia, sem pesar vantagens e prejuízos, e agora  brinca de guerra com os europeus para fazer o jogo de Trump.

Quem vai ocupar o espaço da indústria naval brasileira, da indústria de máquinas e equipamentos, da engenharia e da construção, deliberadamente destroçadas? Quem vai ocupar o espaço dos bancos públicos, da Previdência; quem vai fornecer a Ciência e a Tecnologia que o Brasil pode criar? Serão empresas de outros países, que já estão tomando nosso mercado, escancarado por um governo servil, e levando os lucros e os empregos para fora. 

Fiquem alertas os que estão se aproveitando dessa farra de entreguismo e privatização predatória, porque não vai durar para sempre. O povo brasileiro há de encontrar os meios de recuperar aquilo que lhe pertence. E saberá cobrar os crimes dos que estão traindo, entregando e destruindo o país.

É urgente enfrentá-los, porque seu projeto é destruir nossa infraestrutura, o mercado interno e a capacidade de investimento público – para inviabilizar de vez qualquer novo projeto de desenvolvimento nacional com inclusão social. O povo brasileiro terá mais uma vez que tomar seu próprio caminho. Antes que seja tarde demais para salvar o futuro.

Por isso é tão importante reunir amplas forças sociais e políticas, como neste seminário que se realiza hoje em Brasília, junto ao lançamento da Frente Parlamentar Mista da Soberania Nacional. Saúdo a todos pela relevante inciativa que é o recomeço de uma grande luta pelo Brasil e pelo povo.

Daqui onde me encontro, renovo a fé num Brasil que será novamente de todos, na construção da prosperidade, da igualdade e da justiça, vivendo na democracia e exercendo sua inegociável soberania.

Viva o Brasil livre e soberano! 

Viva o povo brasileiro! 

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 4 de setembro de 2019

Comentários

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  1. José Antonio Silva

    É odiosa a censura que a Veja pratica. Lula é apenas um presidiário e não um analista político confiável.

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  2. Isaias Pontes

    Dedé quando esse indivíduo LULA pode criticar algum governo? Os maiores casos de assalto aos cofres públicos ocorreram sob seu governo. Será que foi por sua incompetência de gestão que não tomou conhecimento do mensalão, depois do petrolão e todos os demais casos de assalto aos cofres públicos, ou foi por conivência mesmo? Ou é uma coisa ou outra, já que os fatos ocorreram. E os desvios de dinheiro para vultosas obras no exterior, enquanto nós cá ficamos a trafegar pelas rodovias da morte, sistemas de saúde, educação e outros sucateados ? Se o governo dele tivesse sido um primor de gestão, aos olhos do povo e não apenas dele e da pequena minoria de interessados ou alienados ideológicos, ele não estaria na cadeia juntamente com boa parte dos assessores, e seus adversários não estariam no governo.

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  3. Canalha cínico!

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  4. Carlos Zambon

    #LulaLivre

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