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Bolsonaro volta a atacar governadores: ‘Povo saberá que foi enganado’

Em entrevista à Record sobre a Covid-19, presidente criticou medidas nos estados e disse que governo estava preparado para chegada 'dessa gripe'

Por Da Redação - Atualizado em 23 mar 2020, 09h07 - Publicado em 23 mar 2020, 08h45

O presidente Jair Bolsonaro voltou a comparar, neste domingo 22, o coronavírus a “uma gripe” e subiu o tom contra governadores, com quem tem trocado farpas nos últimos dias. “O nosso ministro Henrique Mandetta, da Saúde, já vinha providenciando respiradores, abertura de leitos de UTI, fazendo contato com os demais integrantes aqui do nosso governo, para esperar o momento dessa gripe vir ao Brasil, porque nós sabíamos que ela viria ao Brasil”, afirmou.

A declaração foi dada em entrevista por teleconferência ao Domingo Espetacular, da TV Record. Questionado se houve uma demora por parte do governo federal em adotar medidas para conter a disseminação do coronavírus, Bolsonaro criticou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “As pessoas têm que lembrar que no dia 23 de fevereiro ele [Doria] estava na Sapucaí, no Rio de Janeiro. Logo depois, no dia 8 de março, dia da mulher, estava lá em uma corrida com 18.000 pessoas ao seu lado. No dia seguinte, estava no lançamento da CNN com 1.300 pessoas ao seu lado. O que estamos vivendo? Nós não podemos politizar isso daqui. Só falei isso, porque me atacam constantemente”, disse.

Em outro trecho da entrevista, Bolsonaro voltou a criticar os governadores e a cobertura da imprensa. Na opinião do presidente da República, algumas medidas que têm sido adotadas pelos estados podem causar desemprego em massa. “Não levar pânico à população, não exterminar empregos, senhores governadores. Sejam responsáveis. Espero que não queiram me culpar, lá na frente, pela quantidade de milhões e milhões de desempregados, na minha pessoa. Estamos fazendo a coisa certa, observando protocolos”, afirmou. “Brevemente, o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, acrescentou.

Bolsonaro disse, ainda, que não há motivo para que a população brasileira entre em pânico. O presidente também comparou o novo coronavírus (Covid-19) com o surto de gripe suína, causado pelo vírus H1N1. “Isso nós vamos viver. Você não pode comparar o Brasil com a Itália. Você sabe quantos habitantes temos por quilômetro quadrado na Itália? Duzentos. Na Alemanha, 230 habitantes. No Brasil, 24. Há uma diferença enorme entre esses países. Mais importante do que a economia é a nossa vida, mas nós não podemos extrapolar na dose, porque, com o desemprego aí acontecendo, a catástrofe será maior. Mais ainda, o número de pessoas que morreram de H1N1 é na ordem de 800 pessoas. A previsão é não chegar a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus. Certos números temos que levar em conta”, disse.

O presidente disse também que não trabalha com nenhuma estimativa do número de casos que poderão ser registrados e confirmados no país, mas ressaltou que enxerga “um exagero”. “Eu não trabalho [com projeção], não interfiro no trabalho do Mandetta. Eu vejo os números que partem de lá, essas projeções, e estou achando que há um exagero nisso daí”, afirmou.

Por fim, questionado sobre os eventuais impactados que o coronavírus poderia causar dentro das principais comunidades do Brasil, Bolsonaro disse que a recomendação é que os moradores evitem a circulação. “Tem uma comunidade do Rio de Janeiro, não vou falar o nome, porque senão dirão que estou discriminando, que tem um número de tuberculose muito alto. Entrando o vírus lá, vai ter um número muito grande de gente que vai perder a vida, porque [o quadro de saúde] vai ser agravado por esse vírus. Cuidado que tem que ter, evitar a circulação”, afirmou.

Ibope

O governo Bolsonaro é considerado ruim ou péssimo para 48% do moradores da capital paulista, aponta o levantamento feito pelo Ibope, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A gestão é considerada ótima por 26% da população, enquanto outros 25% acham que sua administração é regular.

Este é o primeiro levantamento feito pelo instituto durante a crise causada pelo novo coronavírus, e mede a reação dos paulistanos às principais medidas tomadas por Bolsonaro e por sua equipe ministerial. No primeiro turno da eleição presidencial, em 2018, o então candidato do PSL teve 2,8 milhões de votos na capital, mais de 1,5 milhão de votos a mais que o petista Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo.

O Ibope ouviu 1.001 eleitores, maiores de 16 anos, entre os dias 17 e 19 de março. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

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