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Bolsonaro volta a atacar governadores e diz não querer esconder dados

Em live, presidente também reclamou de supostas adulterações em atestados de óbito para aumentar o número de mortes pela Covid-19 no Brasil

Por Da Redação Atualizado em 11 jun 2020, 21h57 - Publicado em 11 jun 2020, 21h46

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite desta quinta-feira, 11, que não quer esconder números da pandemia do coronavírus e chegou a dizer que acredita que já foi contaminado pela doença e voltou a fazer críticas aos governadores e a reclamar de supostas adulterações em atestados de óbito para aumentar os dados de mortes pela Covid-19 no Brasil.

Em live realizada nas redes sociais, o chefe do Planalto voltou a criticar a imprensa por repercutir os recentes atraso na publicação dos boletins diários de casos e mortes causados pela Covid-19. Na semana passada, o governo federal passou a divulgar os números após as 22h (horário de Brasília) e deixou de informar os números acumulados da doença no país. “Falaram que queríamos esconder números, nos compararam a Venezuela, Coreia do Norte, ninguém quer esconder numero”, disse Bolsonaro, que repetiu o discurso de que sejam divulgadas as quantidades de mortes ocorridas no próprio dia.

“Tem que falar quantos morreram no dia, a carga de antes têm que ser diluída nos dias anteriores”, afirmou. “Números tem que ser mais próximos da realidade possível, se não o real. Tem que saber o que está acontecendo”, completou.

Ele disse que a divulgação desde a época em que Luiz Henrique Mandetta era ministro da Saúde, com ênfase no total de mortes registradas nas últimas 24 horas, e não ocorridas nesse período, gerava “números fictícios”. Jair Bolsonaro aproveitou a fala para criticar os governadores dos estados. “Estamos investigando, tem muito dado que chega, a população reclama, uma pessoa com problema de saúde entrou em óbito, os familiares não sabiam do vírus e aparece no óbito como Covid-19. Não sei o que acontece, quem quer ganhar com isso, só pode ser ganho politico e culpar o governo federal. Uma coisa está errada. Levando a população de forma ponderada, estado como São Paulo, que fez quase lockdown, fechou tudo, até minha Eldorado Paulista. Fechou quase tudo. E o numero de óbitos por milhão de habitantes é muitíssimo maior que Minas Gerais, que fechou bem menos. Se a lógica é fechar para menos óbitos, isso não está funcionando. Os números foram inflados por um lado ou outra coisa. Isso tem que ser explicado”, disse.

Ele também reclamou de ver seu governo comparado a ditaduras. Na live, ele também incentivou a população a ir a hospitais de campanha filmar como estão ocorrendo os atendimentos. “Tem hospital de campanha perto de você, tem hospital público? Arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda. Tudo o que chega pra mim nas redes sociais, a gente faz um filtro e eu encaminho para a Polícia Federal e para a Abin.”

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  • Citando o presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro explicou que não tomou cloroquina: “Trump relatou que estava usando preventivo. Eu não tomei nada, não. Acho que já fui contaminado, dado a maneira. Vim do avião dos EUA para cá com 23 pegaram”, disse Bolsonaro.

    Novo ministério

    Jair Bolsonaro também justificou a recriação do Ministério das Comunicações e a nomeação do deputado Fábio Faria (PSD-RN) como titular da pasta. “O Faria foi nomeado e pode optar receber salário como deputado ou abrir mão como ministro. Não tem aumento de custo nenhum. A Secom vai para lá, EBC vai para lá. Vamos tentar melhorar a comunicação do governo. Temos pela frente a questão do 5G. Houve orientação minha, antes que falem interferência, como proceder nessa questão. Faremos o melhor negócio levando em conta vários aspectos, não só o econômico. Às vezes, o mais barato não quer dizer que seja o melhor. Vamos atender os requisitos da segurança de dados, a política externa entra nesta questão também”, afirmou.

    Auxílio emergencial

    O presidente também falou sobre o calendário de pagamento da terceira e última parcela prevista de R$ 600 para o auxílio emergencial, que deve ocorrer na próxima semana.

    Bolsonaro também disse que está em discussão a hipótese de pagamento de novas parcelas do auxílio emergencial. Ele descartou a manutenção do atual valor. “A gente não pode gastar mais R$ 100 bilhões. Se nós nos endividarmos muito, a gente extrapola nossa capacidade de endividamento. Estamos com a taxa Selic [taxa básica de juros da economia] a 3%, o juro a longo prazo baixou bastante, se nós não tivermos cuidado a Selic pode subir. Cada vez mais o que produzirmos de riqueza vai para pagar dívidas.”

    O presidente estima que com gastos com o auxílio emergencial, mais as despesas de saúde e o socorro a estados e municípios, entre outras iniciativas, o Tesouro Nacional já tenha gasto R$ 1 trilhão.

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