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Bolsonaro pede que Senado não altere MP da reforma ministerial

Com prazo apertado para aprovação da medida provisória, presidente admite não lutar para que Coaf fique com Moro. Câmara aprovou volta do órgão à Economia

O presidente Jair Bolsonaro declarou na noite desta quinta-feira, 23, esperar que o Senado não altere o texto da Medida Provisória 870, que trata da reforma administrativa do governo, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira 22. Com a afirmação, Bolsonaro abre mão de pedir aos senadores que mantenham o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça e Segurança Pública, do ministro Sergio Moro, depois que os deputados decidiram pela volta do órgão ao Ministério da Economia.

Embora tenha aprovado a mudança do Coaf por 228 votos contra 210, em uma derrota para Moro e Bolsonaro, a Câmara manteve o texto-base do relator da MP, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que prevê 22 ministérios na estrutura do governo.

“Coaf foi lá pro ministério da Economia, continua no Executivo, sem problema nenhum. Deve ser votada na semana que vem no Senado. No meu entender, deve aprovar o que foi votado na Câmara dos Deputados e vamos seguir em pautas mais importantes né”, disse o presidente, em uma transmissão ao vivo em seu perfil no Facebook.

A capitulação de Bolsonaro em relação ao órgão de inteligência financeira, responsável pelo combate de crimes como lavagem de dinheiro, pode ser explicada pelo prazo apertado para aprovação da MP 870 no Congresso.

A medida provisória da reforma administrativa caduca no próximo dia 3 de junho e, se o Senado alterar qualquer ponto do relatório votado pela Câmara, o texto deverá voltar à análise dos deputados. Em caso de não aprovação da MP pelo Legislativo até o dia 3, o governo Bolsonaro seria obrigado a reincorporar a estrutura administrativa anterior, do governo Michel Temer, com 29 ministérios.

Apesar do pedido do presidente, o senador Alvaro Dias (PODE-PR) já anunciou que vai apresentar um requerimento para reverter a decisão da Câmara sobre o Coaf. “Há tempo hábil para aprovação no Senado e na Câmara. Nós votaríamos esta matéria nesta quinta-feira, mas a análise foi adiada para a próxima semana porque uma parte ficou pendente na Câmara”, disse a VEJA o líder do Podemos.

Na avaliação de Dias, o governo não mostrou “grande empenho” para manter o órgão sob responsabilidade de Moro. “A impressão que fica é que não faz grande diferença para o governo”, criticou.

Na transmissão no Facebook, Jair Bolsonaro disse que é normal o governo não vencer algumas votações no Congresso. “A minha bancada, do PSL, é de parlamentares bastante novos, alguns ainda acham que tem que ganhar todas, não dá, a gente vai perder alguma votação, não tem problema nenhum, e quem tiver mais voto leva”, declarou o presidente, ao lado do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do presidente da Embratur, Gilson Machado Guimarães Neto.

“O que eu peço aos meus liderados ali né, pessoal do meu partido, que aprove o que passou na Câmara, uma votação simbólica, relâmpago, e toca o barco. Aprovamos mais de 95% da MP. Logicamente, o Parlamento fez sua mudança lá a gente vai reconhecer isso. Faz bem pra democracia, também, entender obviamente que jogamos juntos”, completou.