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Bolsonaro e Lula querem concentrar campanha no Sudeste na reta final

Região, que reúne 42% de todos os votos do país, deve decidir quem será o próximo presidente da República

Por Letícia Casado Atualizado em 29 jun 2022, 22h41 - Publicado em 27 jun 2022, 12h26

A dois meses do início da campanha eleitoral – marcada para 16 de agosto –, os pré-candidatos à Presidência estão concentrando a agenda de viagens no Nordeste do país. O objetivo, tanto de Jair Bolsonaro (PL) como de Lula (PT), é centrar fogo no Sudeste nos 45 dias que antecedem o pleito, em 2 de outubro.

A finalidade é clara: a região Sudeste concentra 42,5% do eleitorado apto a votar em 2022, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 64,7 milhões de votos em disputa, espalhados basicamente em três dos quatro estados: São Paulo (o maior colégio eleitoral do país), Minas Gerais (o segundo maior) e Rio de Janeiro (o quarto, atrás da Bahia). O Espírito Santo tem apenas 1,9% dos votantes.

Para as equipes dos presidenciáveis, concentrar as visitas nos locais decisivos no período mais perto da eleição é uma maneira de estimular a criação de uma onda, seja ela lulista ou bolsonarista, que empurre a votação dos candidatos. Enquanto isso, ambos costuram os palanques estaduais com nomes fortes para o governo e o Senado que atraiam eleitores.

O Datafolha mostrou que, no Sudeste, Lula tem 43% dos votos, ante 29% de Bolsonaro. De acordo com a última pesquisa Genial/Quaest, o petista leva vantagem em Minas (44% a 28%) e em São Paulo (39% a 28%) e empata no Rio (35% cada).

Aliado de Bolsonaro, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da Frente Parlamentar Evangélica, diz que o presidente precisa marcar mais presença no Rio. “Ele tem estado muito ausente”, afirma, acrescentando que o chefe do Executivo deve circular no estado na época do pleito. “O Rio ele conhece bem, e tem o governador”, diz. Bolsonaro vai subir no palanque pela reeleição de Cláudio Castro (PL) – com mais capilaridade na periferia e entre evangélicos do que seu oponente Marcelo Freixo (PSB), que tem a preferência entre os eleitores mais abastados e vai abrir palanque para Lula.

Nem todos os palanques já estão fechados. Em Minas, Bolsonaro articula uma aliança com Romeu Zema (Novo), atual governador que tenta a reeleição. Lula já fechou acordo em Minas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), mas enfrenta entrave semelhante em São Paulo.

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Em São Paulo, o petista endossa o nome de Fernando Haddad, que rivaliza com Márcio França (PSB) pelos votos da esquerda. Quadro antigo do PSB, França foi vice-governador de Geraldo Alckmin e um dos responsáveis por sua filiação ao partido e indicação como vice do petista. Os partidos negociam a vaga do Senado para França na chapa de Haddad.

Para Felipe Nunes, responsável pela pesquisa da Genial/Quaest, São Paulo “é a grande surpresa deste ano, onde o PT sempre teve dificuldades e só venceu em 2002”.

No segundo turno de 2018, o Sudeste respondeu por 42,7% dos votos (49,5 milhões dos 115,9 milhões). Em São Paulo, Bolsonaro teve 68% do total, sendo 8,1 milhões de votos a mais que Haddad – no total, o presidente conquistou 15,3 milhões de eleitores, ante os 7,2 milhões do petista. A vantagem de Bolsonaro foi a mesma no Rio: 68% dos votos (5,66 milhões para Bolsonaro ante 2,67 milhões para Haddad). A diferença foi menor em Minas, onde o chefe do Executivo teve 58,2% do total (6,1 milhões a 4,38 milhões de votos).

Os dados mostram, portanto, que Bolsonaro teve 12,81 milhões de votos a mais nos três estados-chave na eleição passada. É esse o eleitorado que ele precisa recuperar, ao menos em parte.

Um dos coordenadores da campanha de Lula, o ex-governador do Piauí Wellington Dias, diz que o clima mudou em relação ao último pleito: “Em 2018 o enredo da Lava-Jato levou a elevado voto anti-PT. Lula hoje vence no Sudeste e lidera nos estados”.

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