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Bolsonaro deve anunciar ida para o Patriota na próxima semana

Pré-candidato à reeleição em 2022, presidente reunirá deputados aliados na quarta-feira, dia 16, em Brasília, para comunicá-los da decisão

Por Cássio Bruno 10 jun 2021, 12h12

Após fracassar na tentativa de criar o próprio partido, o Aliança pelo Brasil, o presidente Jair Bolsonaro deverá oficializar sua filiação no Patriota na próxima semana, em Brasília, de olho na reeleição em 2022. A expectativa é que Bolsonaro reúna pelo menos 30 deputados aliados no dia 16, quarta-feira. No entanto, ao contrário de o presidente debater com os parlamentares sobre o embarque à nova legenda, como estava previsto anteriormente, Bolsonaro já poderá comunicá-los da decisão.

Em 2018, o Patriota surgiu com a junção do Partido Ecológico Nacional (PEN) e do Partido Republicano Progressista (PRP). As negociações nos bastidores apontavam para a entrada de Bolsonaro na legenda naquele ano. Ele, por sua vez, optou por concorrer à eleição pelo PSL. Mesmo com a união, o Patriota até hoje tem divergências internas, principalmente entre o presidente da sigla, Adilson Barroso, que comandava o PEN, e o atual vice-presidente, Ovasco Resende, então chefão do PRP.

O filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, já está no Patriota. A chegada do parlamentar provocou mais um racha na legenda. Um grupo de correligionários acusa Adilson Barroso de irregularidades na organização da convenção nacional que podem entregar o controle da agremiação a Bolsonaro em todo o país. O caso foi parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio estava no Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

“A minha função é trabalhar por um consenso (dentro do Patriota). O sinal para o diálogo foi dado”, afirmou Barroso. Nas eleições de 2018, a legenda lançou Cabo Daciolo para concorrer à Presidência da República. O candidato ficou em sexto lugar, com 1,26% dos votos, à frente de Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e Henrique Meirelles (MDB). Atualmente, o Patriota possui uma bancada de seis parlamentares na Câmara.

“Das alternativas propostas, ir para o Patriota não é ruim. O nome do partido foi dado exatamente por causa do presidente Bolsonaro. Infelizmente, a vaidade de algumas pessoas não fez enxergar que o PSL se tornou gigante por conta do presidente. O PSL tem hoje uma estrutura enorme e está à altura para disputar a eleição contra o PT, que tem uma máquina enorme. Mas, se a vida nos der limão, vamos fazer uma limonada”, afirmou o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ), um dos mais fiéis aliados de Bolsonaro e que também participará do encontro.

Nos bastidores, o Patriota iniciou um processo de varredura na vida de parlamentares para saber quem realmente é “100% bolsonarista”. Com os dossiês, o clã presidencial quer evitar o que aconteceu no PSL quando houve uma filiação em massa de candidatos ao Legislativo, mas, depois de eleitos, alguns se aliaram a adversários de Bolsonaro. Um dos exemplos de “traição política” é no Rio de Janeiro. Após vitória nas urnas, os deputados estaduais Rodrigo Amorim e Alexandre Knoploch se aproximaram do ex-governador Wilson Witzel (PSC), desafeto do presidente da República. Ambos fizeram indicações para cargos no governo fluminense.

Aliados próximos a Bolsonaro ouvidos por VEJA disseram que, ao chegar no Patriota, Bolsonaro não exigirá que todos os comandos de diretórios sejam destituídos. “O Patriota será uma legenda conservadora de direita. Obviamente, haverá trocas nos estados. Porém, Bolsonaro vai preservar aqueles que ele achar de confiança”, contou um deles.

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