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Bolsonaro defende seu mercado eleitoral

Pesquisa VEJA/FSB mostra que o presidente preserva eleitores que o apoiam desde o 1º turno, mas depende de resultados para manter quem aderiu a ele depois

Por Alon Feuerwerker e Marcelo Tokarski (*) 23 ago 2019, 06h30

Os números da primeira pesquisa VEJA/FSB mostram Jair Bolsonaro preservado na fatia de mercado dos eleitores dele no primeiro turno de 2018, e retendo até agora o voto de confiança do grupo que decidiu por ele apenas no segundo. Mas os dados revelam também que segurar este último contingente até 2022 depende principalmente de entregar resultados.

A pesquisa aponta ainda que, se a maioria reprova aspectos do jeito de governar e de comunicar do presidente, isso não é tão relevante no juízo que o eleitor faz sobre o governo ou na expectativa sobre o futuro. O que leva a projetar dificuldades eleitorais para candidatos que pretendam se diferenciar de Bolsonaro em 2022 apenas no estilo, na forma.

Nota-se também a preservação pelo PT da fatia eleitoral que votou em Fernando Haddad no primeiro e segundo turnos. Apesar de as eleições ainda estarem distantes, outros detalhes relevantes: Ciro Gomes resiliente, Luciano Huck com largada forte e João Doria abaixo de João Amoêdo na principal simulação, e numericamente atrás de Haddad no segundo turno.

Sergio Moro mantém a liderança na avaliação dos ministros, o que é consistente com os dois aspectos que, segundo a pesquisa, mais melhoraram neste governo: combate à corrupção e segurança pública. Mas a maioria absoluta não elogia espontaneamente nenhum nome do primeiro escalão presidencial. Bolsonaro não tem concorrente interno na ocupação do palco.

Paulo Guedes aparece em terceiro, depois de Moro e “nenhum”, mas o desemprego desponta colado com a já tradicional saúde como o que mais piorou até agora no governo Bolsonaro. É a luz amarela piscando para uma gestão que, em números gerais, vai bem avaliada na nova realidade política de extrema polarização, o normal depois de 2015/16.

  • Do conjunto da pesquisa conclui-se que a linha de comunicação ajuda o presidente da República a manter o domínio sobre seu campo político-eleitoral fiel na direita, ao produzir diariamente, ou mais de uma vez por dia, assuntos que 1) o reforçam no universo bolsonarista ou 2) não são os mais relevantes para o eleitorado em disputa, a turma que vai definir a sucessão daqui a três anos.

    (*) Alon Feuerwerker é diretor de Análise Política da FSB; Marcelo Tokarski é diretor do Instituto FSB Pesquisa

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