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Bolsonaro ataca Doria após ‘motosseata’ em São Paulo

Presidente acusou o governador paulista de ser "ditador" por determinar medidas de restrição na pandemia. Ele foi multado pelo tucano por não usar máscara

Por Caíque Alencar Atualizado em 12 jun 2021, 17h48 - Publicado em 12 jun 2021, 15h07

O presidente Jair Bolsonaro atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), neste sábado, 12, em ato político após participar de uma ‘motosseata’ com apoiadores. Bolsonaro acusou o tucano de ser “ditador” por determinar medidas de restrição contra o avanço da Covid-19. “Eu desafio o governador a vir conversar com vocês. Desafio ele a participar de um evento como esse que eu participei com motociclistas”, afirmou o presidente ao atribuir a Doria o aumento do desemprego. “Ele tirou o direito de ir e vir. O governador que se diz democrata, mas é ditador”, completou Bolsonaro.

Ao lado de presidente, participou da manifestação o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, frequentemente citado pelo presidente como possível candidato ao governo de São Paulo em 2022. “É muito bom ver o verde e amarelo e uma manifestação de brasilidade”, disse Freitas, em breve discurso. O chefe da pasta foi ovacionado com gritos de “governador”. Além de Tarcísio Gomes de Freitas, também estiveram no ato os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovação) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho Zero Três do presidente.

Bolsonaro aproveitou o ato político para sugerir que vai continuar no Palácio do Planalto e dizer que vai entregar, “bem lá na frente”, um governo melhor do que encontrou em 2019. Ele negou que sua fala fizesse parte de uma campanha eleitoral. “Não estamos em campanha. Eu vou em qualquer lugar prestar contas a vocês”, afirmou o presidente. Ele também deu recado aos motociclistas e prometeu isenção do pagamento de pedágio, colocando a liberação na conta do ministro da Infraestrutura.

Nos bastidores, Tarcísio Gomes está temeroso de que a fantasia de candidato colocada nele pelo presidente atrapalhe as concessões previstas para o ano que vem, como a da Via Dutra, que deve ocorrer em fevereiro. Ele teme que investidores saiam pela tangente com as determinações de Bolsonaro em relação aos pedágios, tornando o projeto pouco atraente para as empresas que têm capacidade de investimento na rodovia. 

Multa por não usar máscara

Sem máscara, Jair Bolsonaro liderou durante a manhã e o início da tarde um comboio com milhares de motociclistas que o apoiam. O grupo saiu das imediações do Sambódromo do Anhembi, na marginal Tietê, Zona Norte da capital paulista, onde o trânsito foi afetado, e seguiu pela Rodovia dos Bandeirantes até Jundiaí. De lá, o comboio retornou à capital paulista e encerrou a rota na região do Obelisco do Parque do Ibirapuera.

Horas após o início do evento, o governo do estado de São Paulo informou que Bolsonaro foi autuado no valor de R$ 552,71 por não usar máscara. Também foram multados Eduardo Bolsonaro e Tarcísio Gomes de Freitas. No comunicado, a gestão Doria disse que foi encaminhado aos três um documento que “pontua a necessidade da manutenção das medidas preventivas já conhecidas e preconizadas pelas autoridades sanitárias internacionais, como uso de máscara e distanciamento”. O uso de máscaras é obrigatório no estado de São Paulo desde maio de 2020.

De acordo com a Polícia Militar, que acompanhou todo o trajeto feito por Bolsonaro, o ato transcorreu de forma pacífica. Foram registradas três ocorrências. Duas pessoas sofreram acidente de trânsito, uma delas com fratura no pé, e outra teve um mal súbito.

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