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Bolsonaro: articulação política será ‘compartilhada’ e coordenada por Onyx

Presidente eleito diz que indicado para Secretaria de Governo vai 'surpreender' no trato com parlamentares e que número de ministérios 'não vai chegar a 20'

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 27 nov 2018, 20h10 - Publicado em 27 nov 2018, 19h14

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta terça-feira, 27, na sede do governo de transição, em Brasília, que a articulação política de sua gestão junto ao Congresso vai ser “compartilhada” e coordenada pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro detalhou como se dará a interlocução parlamentar do Palácio do Planalto quando foi questionado por jornalistas sobre se a manutenção da Secretaria de Governo esvaziaria a o papel de articulador político de Onyx. A pasta, que seria absorvida pela Casa Civil, tem como principal atribuição o diálogo com o Congresso. Nesta segunda-feira, 26, o presidente eleito anunciou que o general Carlos Alberto dos Santos Cruz ocupará a Secretaria de Governo.

“[A articulação] será compartilhada e o Onyx Lorenzoni vai ser o comandante dessa área e o Santos Cruz também terá responsabilidade. Ele (Santos Cruz) muitas vezes esteve em audiência no parlamento, sabe como funciona”, disse Jair Bolsonaro, após anunciar Tarcísio Gomes de Freitas como ministro da Infraestrutura. “Estamos nos articulando, não é fácil você conversar com 594 parlamentares”, afirmou.

Segundo o pesselista, Onyx está reunindo um grupo de ex-parlamentares para também atuar na função. O presidente eleito também disse que conversará com senadores e deputados.

Sobre a inexperiência de Santos Cruz no trato político com deputados e senadores, tarefa delicada e fundamental à governabilidade, Bolsonaro afirmou que o militar da reserva vai “surpreender” no cargo.

“Santos Cruz, diferentemente do que muitos pensam, é uma pessoa que fala mais de um idioma, tem uma vivência fora do Brasil muito grande, é um combatente também, vocês vão se surpreender no trato com parlamentares vindo da parte dele”, declarou.

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O presidente eleito reiterou também que tem procurado ouvir bancadas temáticas de parlamentares, e não partidos políticos, para escolher ministros de seu governo. “Dessa forma estamos atingindo todo o Parlamento”, disse ele.

Até o momento, nomes como os da deputada Tereza Cristina (DEM-MS) para a Agricultura, do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para a Saúde e do filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez para a Educação passaram pelos crivos das frentes parlamentares ruralista, da saúde e evangélica, respectivamente.

‘Não vai chegar a 20 ministérios’

Com 15 nomes de ministros confirmados em seu governo, Jair Bolsonaro disse que o número de pastas não deve chegar a 20. O desenho final, conforme o pesselista, será apresentado a ele por Onyx Lorenzoni nesta quarta-feira, 28. Durante a campanha eleitoral, ele afirmava que pretendia ter, no máximo, 15 ministérios.

“Não vai chegar a vinte não, vinte no máximo, porque a gente vai vendo, por uma governabilidade não podemos sobrecarregar uma pessoa em um ministério, então refizemos alguma coisa”, explicou. “Nós nos perdemos um pouquinho, queríamos 15 ministérios, mas alguns por questões de funcionalidade tivemos que manter status de ministério”, completou.

Segundo o presidente eleito, o nome para o Meio Ambiente deve ser anunciado nesta quarta-feira, 28, e o escolhido para Minas e Energia “não está próximo” de ser fechado. Ele não confirmou a informação dada pelo futuro ministro Tarcísio Gomes de Carvalho de que haverá um Ministério de Desenvolvimento Regional, absorvendo as funções dos atuais Cidades e Integração Nacional, e disse, sobre uma possível pasta da Cidadania, que “vai ter um ministério que vai envolver tudo isso aí, mulher, igualdade racial…”

Após alguns recuos na intenção de extinguir o Ministério do Trabalho e chegar à conclusão de que a pasta seria mantida e fundida a outras, Jair Bolsonaro afirmou que “ninguém vai mexer na legislação trabalhista, todos os direitos são garantidos, se vai ser ministério ou não, é outra história”.

Ele ainda classificou a senadora Ana Amélia (PP-RS) como “excelente pessoa” e possível convidada a integrar o primeiro escalão do governo e admitiu que pode indicar mais militares a ministérios. “É possível. Quando o PT escalava terrorista ninguém falava nada”, ironizou.

Até o momento, há cinco militares no governo Bolsonaro: os generais Hamilton Mourão (vice-presidente), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), além do tenente-coronel da Força Aérea Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

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