Bolsonaristas querem usar episódio de Moraes e Vorcaro para pedir liberdade ao ex-presidente
Parlamentares de oposição ao governo querem arguir a nulidade dos atos praticados pelo ministro relator do caso do golpe, que não é mencionado nas mensagens
Um grupo de parlamentares bolsonaristas liderados pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC) quer usar as mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, nas quais o ministro Alexandre de Moraes é mencionado, para pedir liberdade ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Eles farão uma coletiva de imprensa na noite desta quarta-feira, 2, para anunciar uma representação que pretendem levar ao Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o comunicado da assessoria do parlamentar, a representação será para “pedir o reconhecimento da nulidade de atos nos processos de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, em razão dos questionamentos envolvendo a atuação do ministro Alexandre de Moraes” e também para solicitar “a análise dos efeitos jurídicos dessas nulidades sobre condenações e restrições de liberdade”.
Na terça-feira, 1°, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um dos braços do Caso Master. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mencionam vínculos com o ministro Alexandre de Moraes. Antes de tentar fugir do país, ele consultou o magistrado, pediu para represar o andamento de investigações e deu cartões de crédito com R$ 300 mil de limite a ambos os filhos dele. Vorcaro fechou ao menos três contratos de prestação de serviços com o Barci de Moraes, escritório da esposa do ministro Alexandre, no valor de R$ 208 milhões. O próprio magistrado ajudou a elaborar os documentos.
Em nenhum momento as mensagens mencionam o ex-presidente Jair Bolsonaro ou o julgamento das ações da tentativa do golpe de estado. A oposição se movimentou para apresentar novos pedidos de impeachment de Moraes — o que é possível na teoria, mas na prática nunca aconteceu.
A retirada do sigilo das mensagens e a possibilidade de uma investigação sobre a conduta do ministro Alexandre serão analisadas pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, divulgou uma nota afirmando que vai adotar as “medidas necessárias” e que agirá “serenidade, responsabilidade e firmeza”.







