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Autor de ‘parecer falho’ é ligado a Renan e ao PT

Próximo ao presidente do Senado e doador de campanha do PT, Nestor Cerveró elaborou o parecer, apontado por Dilma como ‘falho’, para a operação Pasadena

Por Laryssa Borges e Silvio Navarro 20 mar 2014, 15h31

Responsável pelo “parecer falho” que levou a Petrobras a comprar em 2006 a refinaria de Pasadena, no Texas, o ex-diretor da área internacional da empresa Nestor Cuñat Cerveró, hoje diretor da BR Distribuidora, é apadrinhado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e mantém laços com políticos do PT.

A presidente Dilma Rousseff, que na época da transação, em 2006, ocupava a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, atribuiu a “informações incompletas”, de um “parecer técnico e juridicamente falho”, o aval dado pela estatal para a compra da refinaria no Texas. As informações haviam sido compiladas por Cerveró. Durante sua gestão na área internacional, ele defendeu a compra e foi o responsável pelo “resumo executivo” sobre o negócio. A compra da refinaria revelou-se um dos negócios mais malsucedidos da história da estatal – 1 bilhão de dólares foi pelo ralo.

Diante da informação de que os documentos apresentados por Cerveró teriam levado o Conselho de Administração a autorizar a operação Pasadena, Renan começou a preparar terreno para indicar um provável sucessor para a diretoria da BR Distribuidora. Nesta quarta-feira, o peemedebista desabafou a aliados: “Não dá para entender como esse senhor está na diretoria financeira da BR [Distribuidora]”. Segundo interlocutores, Cerveró era recebido frequentemente em Brasília para reuniões com o presidente do Senado.

Além de suas relações com o PMDB, o diretor financeiro da BR Distribuidora foi doador de campanhas do PT no Rio de Janeiro. Nas eleições de 2010, desembolsou 12.000 reais, em três cheques de 4.000 reais cada um, para o diretório petista.

No PT, Cerveró é ligado ao senador Delcídio do Amaral (PT-MS). “O governo me perguntou [sobre indicação de Cerveró na Petrobras] e disse que não tinha nenhum óbice até porque é um servidor de carreira da companhia. Eu avalizei e disse que não tinha nada contra. Ele tinha trabalhado comigo e falo isso com a maior tranquilidade possível”, disse.

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Nesta quinta, Delcídio e Renan trocaram farpas sobre a indicação de Cerveró. “O Delcidio deve estar preocupado com relação à indicação, mas eu queria de antemão dizer que o Delcídio não deve ficar preocupado. O Delcidio certamente não indicou o Ceveró para ele roubar a Petrobras”, provocou Renan, após o petista atribuir a ele a nomeação do diretor da BR Distribuidora.

Cerveró viajou para a Europa, em férias. Ele deixou o Brasil justamente no dia em que o jornal O Estado de S.Paulo revelou que Dilma deu aval para a compra da refinaria. Segundo interlocutores, ele deverá renunciar ao cargo na BR Distribuidora.

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