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Ativista diz que deputados estão roubando e recebe voz de prisão

Carla Zambelli, líder do movimento Nas Ruas, questiona parlamentares sobre críticas ao juiz Sergio Moro durante depoimento de advogado à CPMI da JBS

Por Estadão Conteúdo 30 nov 2017, 18h28

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) mandou nesta quinta-feira a Polícia Legislativa prender Carla Zambelli, uma das líderes do Movimento Nas Ruas, durante o depoimento do advogado espanhol Rodrigo Tacla Duran na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS no Senado, após ter sido acusada por ela de ladrão.

A militante foi levada para a delegacia, onde prestou depoimento. Três horas depois, foi liberada. Tudo foi registrado em vídeo gravado por Zambelli. Com uma câmera nas mãos, ela abordou os parlamentares para questioná-los sobre críticas feitas ao juiz Sergio Moro na sessão. No vídeo, Pimenta diz para a militante “ir trabalhar”. Na sequência, a líder do Nas Ruas faz a acusação contra o deputado. “Eu estou trabalhando, diferente de vocês que estão roubando.”

“Eles me mandaram trabalhar. Ele me desqualificou. É a mesma coisa que me chamar de vagabunda”, disse Zambelli a VEJA. “Aí respondi que estava trabalhando, ao contrário deles, que estavam roubando. Mas não disse para os dois parlamentares. Foi de maneira mais genérica, para todos os investigados da Lava Jato.

Na discussão, a ativista chegou a afirmar também que Pimenta teria “medo de Sergio Moro”. “Na hora que o senhor perder o foro privilegiado, o senhor vai encontrar com ele, viu? Vai ter um encontro bem gostoso com ele”, disse.

Veja o vídeo divulgado por Carla Zambelli após o episódio:

Pimenta também será chamado para prestar esclarecimentos sobre o episódio, segundo informações da Polícia Legislativa. O petista teve seu nome mencionado por delatores da Odebrecht e aparece em documentos da empreiteira sob o apelido de “Montanha”.

Carla Zambelli ficou conhecida por se algemar em um pilar da Câmara dos Deputados, em 2015, para pedir o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em junho deste ano, após o presidente Michel Temer (PMDB) ser implicado em denúncias pela Procuradoria-Geral da República, a ativista disse que o Nas Ruas atuava de forma voluntária em favor do governo e não enxergava indícios suficientes para seu afastamento do cargo.

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