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As revelações da testemunha-chave que envolveu Lulinha no escândalo do INSS

Ameaçado de morte, executivo diz ter ouvido detalhes do pagamento de propina para o filho do presidente da República

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 ago 2026, 12h40
As revelações da testemunha-chave que envolveu Lulinha no escândalo do INSS Priorizar nos meus resultados Google

A prisão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em setembro de 2025, foi decretada, entre outras razões, porque ele tentou intimidar uma testemunha do escândalo dos desvios das aposentadorias dos idosos.

O alvo foi Edson Claro, ex-diretor comercial da World Cannabis, empresa que pertence a Camilio Antunes, que revelou, em mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal, detalhes de como o seu chefe operava o esquema que desviou 6 bilhões de reais dos aposentados do INSS.

Ele apresentou mensagens, planilhas, fotografias e diálogos de celular que abriram caminho para uma série de investigações — três delas envolvendo o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.

“A primeira coisa que falei é que muita gente grande estava envolvida”, disse Edson a VEJA. “Falei sobre a comissão de 25 milhões que o Antonio disse que pagaria para o filho do presidente e também sobre o envolvimento de outras pessoas importantes, incluindo o senador Weverton Rocha”.

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O executivo contou ter ouvido do Careca do INSS que Lulinha receberia 25 milhões de reais por ter conseguido viabilizar um contrato no Ministério da Saúde no valor de 1 bilhão de reais. O negócio envolvia a venda de testes rápidos para dengue e zika.

Claro contou que Lulinha viajou com Careca para quatro países — Portugal, Alemanha, Suiça e Espanha — para tratar de outros negócios. Ele também também deu o caminho para a PF mapear a distribuição de propinas. Disse aos policiais que Lulinha recebia uma mesada de 300 mil reais paga pela lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, e pela publicitária Danielle Fonteles, que mora em Portugal.

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As revelações de Edson tiveram um custo para sua vida pessoal. A CPMI do INSS tentou incluir o empresário no programa de proteção, sem resultado. Nas últimas semanas, ele tem recebido ligações oriundas dos Estados Unidos, Paraguai e interior de São Paulo. Em um dos telefonemas, uma pessoa advertiu que ele estaria ‘falando muito’.

O Careca do INSS, antes de ser preso, ameaçou  “meter uma bala” na cabeça do subordinado se ele revelasse o que sabia.

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