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As interferências externas que podem influenciar as eleições brasileiras

Especialista em relações internacionais afirma que há um leque imenso de possibilidades para eventuais ingerências

Por Ricardo Chapola Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 ago 2026, 21h34 | Atualizado em 3 ago 2026, 10h38
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A interferência no processo eleitoral de outro país pode se dar a partir da combinação de alguns fatores, como pressão diplomática, medidas econômicas, campanhas de desinformação e difusão de narrativas. Essa é a avaliação do professor de relações internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, ao analisar a possibilidade de eventuais ingerências externas nas eleições de outubro. “Isso pode incluir sanções individuais, restrições comerciais, pressão de organismos internacionais e influência sobre a opinião pública por meio das redes sociais”, destaca Rudzit.

A confusão provocada pelas declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto antecipou o debate sobre a internacionalização da disputa eleitoral deste ano. No evento, Milei classificou os socialistas como “delinquentes”, chamou Lula de “ladrão e presidiário” e criticou o STF por não autorizar sua visita a Jair Bolsonaro. Além disso, atacou o ministro Alexandre de Moraes.

Outro fator que alimenta a possibilidade de interferência externa nas eleições são os questionamentos feitos por autoridades brasileiras e americanas a respeito da confiança do sistema eletrônico de votação – tema que esteve presente na campanha presidencial de 2022 e acabou, em certa medida, culminando nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, promovidos por apoiadores de Bolsonaro que não aceitaram o resultado das eleições daquele ano, quando o ex-presidente foi derrotado por Lula.

Há poucos dias, o filho de Bolsonaro incluiu esse tema em seu discurso. Em paralelo, os EUA sinalizaram que tinham a intenção de enviar uma comitiva ao Brasil para verificar o sistema eletrônico.

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“Se essa missão dos EUA acontecer, os efeitos seriam sobretudo políticos. Dependendo das conclusões,  isso poderia influenciar na percepção internacional sobre a qualidade do processo eleitoral brasileiro”, afirmou o professor da ESPM.

Para Rudzit, uma ofensiva desse tipo poderia gerar consequências diplomáticas e políticos, afetando, por exemplo, a confiança de investidores e a imagem internacional do país.

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O governo de Donald Trump, que já impôs dois tarifaços aos produtos brasileiros, decidiu na semana passada prorrogar por mais um ano o chamado estado de emergência nacional, instrumento que funciona como uma espécie de carta branca para que o republicano adote medidas excepcionais contra qualquer nação para proteger interesses americanos.

O Palácio do Planalto vê esse dispositivo como um passaporte que pode ser utilizado para inúmeros fins, inclusive para justificar medidas que, indiretamente, podem refletir nas eleições de outubro.

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