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Artistas de esquerda reagem com ironias a convite a Regina Duarte

José de Abreu fez piada e Duvivier citou 'ponto eletrônico'; Jair Bolsonaro quer atriz no comando da secretaria da Cultura

Por Da Redação Atualizado em 20 jan 2020, 11h19 - Publicado em 20 jan 2020, 09h35

O convite do presidente Jair Bolsonaro à atriz Regina Duarte para assumir o comando da Secretaria Especial da Cultura do governo federal foi recebido com críticas e ironias por artistas alinhados à esquerda. Atores como José de Abreu e Gregorio Duvivier, além do diretor Kleber Mendonça Filho e a documentarista Debora Diniz estão entre os que comentaram a possível nomeação. Regina Duarte ainda não respondeu se aceita o convite.

“Personagem e criatura se confundem na adoração que ela devota ao presidente Bolsonaro”, escreveu Debora Diniz no Twitter. “Ela é matéria que incorpora a libido do poder patriarcal. Uma mulher em submissão encantada.”

José de Abreu reagiu com ironia à possibilidade de Regina assumir o posto: “Breaking Faking News: Regina Duarte exige a recriação do Ministério da Cultura para participar do governo. ‘Sempre fui a protagonista, não será agora que vou ser a secretária. Quase não tem fala'”, debochou, também no Twitter.

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Na mesma rede social, Duvivier escreveu: “Se a Regina Duarte aceitar, quem ela vai nomear pro ponto eletrônico?”, questionou, citando um recurso que a atriz já admitiu usar em algumas cenas para lembrar as falas. Já o diretor de Bacurau, Kleber Mendonça Filho, se limitou a compartilhar uma notícia sobre a possível nomeação com a mensagem: “O caos reina”, em inglês.

A empresária e produtora cultural Paula Lavigne, organizadora do movimento 342 Artes, disse que Regina “é de direita, mas não é nazista”. “Acho que na situação de desmonte total da cultura que estamos vivendo, ter Regina Duarte pode ajudar. Ela é de direita, mas não é nazista: redução de danos”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo.

O escritor Paulo Coelho avaliou que “não faz diferença” se a nova Secretária Especial da Cultura seja Regina Duarte ou outra pessoa, porque “quem manda” é Bolsonaro e seus filhos, também noticiou O Estado de S. Paulo. “Regina Duarte ou outro não faz diferença – quem manda no governo é o líder e seus filhos. Moro, Guedes, Mourão, todos já sabem disso: antes tentaram ter voz própria e agora não piam mais”, escreveu o escritor no Twitter. Paulo Coelho apagou o post em seguida.

Regina Duarte deve decidir nesta segunda-feira se aceita o convite após encontro com o presidente no Rio de Janeiro. O cargo para a chefia da Secretaria Especial de Cultura ficou vago depois da exoneração de Roberto Alvim, que parafraseou em um vídeo uma fala do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels.

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