Após prisão de aliado, apadrinhado de Rueda corre contra o tempo para emplacar candidatura
Márcio Canella, que mira vaga na Alerj com a benção do presidente do União Brasil, tenta acelerar julgamento de registro no Tribunal Eleitoral do Rio
Em campanha a deputado estadual no Rio com a benção de Antonio Rueda, presidente da poderosa federação União Progressista, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, que ganhou o noticiário depois de ser preso em flagrante com um fuzil no carro em uma operação da Polícia Federal, em julho, pressiona o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) a tomar uma decisão sobre sua candidatura antes do primeiro turno, no dia 4 de outubro. Ele chegou a ser anunciado candidato ao Senado na chapa bolsonarista ao governo estadual, mas recuou após a federação desembarcar da aliança com o PL. Com o desgaste da prisão, passou a mirar uma vaga na Assembleia Legislativa, mas o Ministério Público Eleitoral pede que ele seja barrado das urnas por suspeita de ligação com o crime organizado, o que Canella nega veementemente.
O TRE tinha até 14 de setembro para concluir a análise dos registros dos candidatos. No caso do ex-prefeito, antes de decidir, os desembargadores viram a necessidade de requisitar informações complementares sobre eventuais investigações contra Canella para entender o que pesa, concretamente, contra o político. Ofícios foram disparados ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o processo que o levou a ser preso, à Polícia Federal, ao Ministério Público do Rio e à Polícia Civil. O STF, por exemplo, não encaminhou resposta no prazo.
A defesa cobra urgência no julgamento e argumenta que a indefinição, embora não impeça a campanha, prolonga uma situação de insegurança jurídica. “A instrução determinada por esta Corte já foi realizada, o acervo probatório já se encontra formado e a defesa já apresentou os esclarecimentos pertinentes. Não subsiste, portanto, providência instrutória que justifique o prolongamento do julgamento”, argumentam os advogados em ofício enviado nesta segunda-feira, 28, ao TRE.
A pressa tem outra razão: a campanha teme que o inquérito em curso no STF tenha novos desdobramentos, especialmente após a prisão do vereador carioca Jorge Canella (União Brasil), seu aliado, na semana passada. O ex-prefeito não nega a relação política com Jorge, mas argumenta que ela não pode ser “artificialmente convertida em vínculo processual ou investigatório” para impedir a candidatura. “Vínculo político não se confunde com vínculo criminal, assim como fato atribuído a terceiro não se converte, por proximidade política, em fato imputável ao candidato”, alegou ao Tribunal Regional Eleitoral.





