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Após prisão de aliado, apadrinhado de Rueda corre contra o tempo para emplacar candidatura

Márcio Canella, que mira vaga na Alerj com a benção do presidente do União Brasil, tenta acelerar julgamento de registro no Tribunal Eleitoral do Rio

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 set 2026, 16h50
Após prisão de aliado, apadrinhado de Rueda corre contra o tempo para emplacar candidatura Priorize VEJA no Google

Em campanha a deputado estadual no Rio com a benção de Antonio Rueda, presidente da poderosa federação União Progressista, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, que ganhou o noticiário depois de ser preso em flagrante com um fuzil no carro em uma operação da Polícia Federal, em julho, pressiona o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) a tomar uma decisão sobre sua candidatura antes do primeiro turno, no dia 4 de outubro. Ele chegou a ser anunciado candidato ao Senado na chapa bolsonarista ao governo estadual, mas recuou após a federação desembarcar da aliança com o PL. Com o desgaste da prisão, passou a mirar uma vaga na Assembleia Legislativa, mas o Ministério Público Eleitoral pede que ele seja barrado das urnas por suspeita de ligação com o crime organizado, o que Canella nega veementemente.

O TRE tinha até 14 de setembro para concluir a análise dos registros dos candidatos. No caso do ex-prefeito, antes de decidir, os desembargadores viram a necessidade de requisitar informações complementares sobre eventuais investigações contra Canella para entender o que pesa, concretamente, contra o político. Ofícios foram disparados ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o processo que o levou a ser preso, à Polícia Federal, ao Ministério Público do Rio e à Polícia Civil. O STF, por exemplo, não encaminhou resposta no prazo.

A defesa cobra urgência no julgamento e argumenta que a indefinição, embora não impeça a campanha, prolonga uma situação de insegurança jurídica. “A instrução determinada por esta Corte já foi realizada, o acervo probatório já se encontra formado e a defesa já apresentou os esclarecimentos pertinentes. Não subsiste, portanto, providência instrutória que justifique o prolongamento do julgamento”, argumentam os advogados em ofício enviado nesta segunda-feira, 28, ao TRE.

A pressa tem outra razão: a campanha teme que o inquérito em curso no STF tenha novos desdobramentos, especialmente após a prisão do vereador carioca Jorge Canella (União Brasil), seu aliado, na semana passada. O ex-prefeito não nega a relação política com Jorge, mas argumenta que ela não pode ser “artificialmente convertida em vínculo processual ou investigatório” para impedir a candidatura. “Vínculo político não se confunde com vínculo criminal, assim como fato atribuído a terceiro não se converte, por proximidade política, em fato imputável ao candidato”, alegou ao Tribunal Regional Eleitoral.

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