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Após dizer que ‘falta gestão’, Bolsonaro deve definir futuro de Vélez

Presidente deu indicações de que pode demitir ministro da Educação nesta segunda-feira, em semana que avaliará áreas do governo pelos 100 dias de mandato

Na semana em que completa 100 dias de governo, Jair Bolsonaro pode anunciar a segunda baixa ministerial em seu mandato. Na última sexta-feira, o presidente afirmou que tomaria uma decisão nesta segunda 8 sobre o futuro do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez à frente do ministério da Educação (MEC).

“Na segunda, vamos resolver a situação do MEC”, disse Bolsonaro. “Está bem claro que não está dando certo o ministro Vélez, falta gestão. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na direita ou na gaveta”, completou o presidente. No mesmo dia, em evento na cidade de Campos do Jordão (SP), o ministro afirmou que “não entregará o cargo”

Neste sábado, depois de participar em um churrasco na casa de um amigo em Brasília, o presidente afirmou que espera receber de cada um de seu ministro um balanço das respectivas áreas nos 100 dias de governo. Com indicadores de popularidade em queda, Bolsonaro ponderou: “não é tanta notícia ruim como a imprensa vem publicando”.

Na segunda ele também planeja resolver a disputa na Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex). Na entidade, o presidente Mário Vilalva tem apoio dos militares do governo e está em confronto com diretores próximos do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, homem da confiança do escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico de Bolsonaro.

Gestão atribulada no MEC

Caso seja confirmada, a saída de Vélez será a segunda baixa no ministério de Bolsonaro em pouco mais de três meses de governo. Em fevereiro, Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) foi demitido após entrar em rota de colisão com o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

Neste mesmo período, o MEC já registrou nada menos que dezessete baixas em cargos de alto escalão — as mais recentes delas na última quinta-feira 4, quando foram dispensados a chefe de gabinete da pasta, Josie de Jesus, e Bruno Garschagen, assessor especial do ministro.

As quedas de Josie e Garschagen enfraquecem os grupos “técnico” e “olavista” do Ministério da Educação, que desde o início do governo disputam o controle da pasta e paralisam os projetos da pasta.

Reportagem publicada por VEJA mostra que o Ministério da Educação (MEC), onde são tomadas decisões que moldam o futuro dos brasileiros, é hoje o epicentro do pandemônio no governo federal.

Os projetos estão emperrados, as brigas ideológicas atravancam decisões, as demissões ocorrem em série — e a educação, um dos temas mais importantes da agenda nacional, está à deriva. 

Enfraquecido, Vélez é bombardeado por evangélicos, militares, partidos, e vive enredado com os “olavetes”, cujo mestre é o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, que mora nos Estados Unidos. Aos chamados vélezianos, restaram apenas quatro secretarias.

Até agora, a manutenção do ministro no cargo é de fundo prático: Bolsonaro não queria demiti-lo durante a crise do governo com o Congresso e, com isso, contribuir para aumentar o clima de incerteza. Agora, após uma série de encontros com líderes partidários para aparar arestas nas negociações pela reforma da Previdência, Bolsonaro tem a agenda livre para cumprir o desejo de conversar com o ministro.

“Tem problema, sim, ele [Vélez] é novo no assunto, não tem o tato político, vou conversar com ele e tomar as decisões que tiver que tomar”, disse Bolsonaro no dia 28 de março, um dia depois de o ministro ser duramente criticado em audiência na Câmara dos Deputados, quando parlamentares consideraram suas respostas vagas e pela falta de clareza na apresentação de programas da pasta.

(Com Estadão Conteúdo)