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Após caravana pelo Nordeste, Lula arruma as malas para Minas

Ex-presidente deve visitar Belo Horizonte e Vale do Jequitinhonha. Petistas avaliam que nome da 3ª via deve sair do segundo maior colégio eleitoral do País

Por Rafael Moraes Moura, Letícia Casado 29 ago 2021, 13h17

Minas Gerais deve ser o próximo destino da versão 3.0 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de uma caravana de duas semanas por seis Estados nordestinos, o petista prepara agora a estratégia política para o segundo maior colégio eleitoral do País, com visitas em setembro a Belo Horizonte e à região do Vale do Jequitinhonha. Minas é crucial para o PT porque, de 1989 para cá, todos os candidatos que venceram a disputa no Estado saíram vitoriosos na corrida pelo Palácio do Planalto — um roteiro seguido por Collor, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e pelo próprio Lula, em 2002 e 2006. Além do peso do eleitorado mineiro na definição do resultado das eleições, aliados do petista acham que é provável que o candidato da terceira via saia de lá — na bolsa de apostas do PT, cresce a avaliação de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), deve assumir o protagonismo político de tentar romper com a polarização.

Em conversas reservadas com aliados, Lula tem dito ser o único capaz de derrotar Bolsonaro, ressaltando que não há espaço para uma terceira via. Especialistas ouvidos por VEJA discordam — e pesquisas mostram que a liderança, hoje, é dos indecisos. Em um sinal de que as dores do impeachment de Dilma Rousseff já foram cicatrizadas, o petista tem frisado que quer o MDB — outrora chamado de “golpista” — ao seu lado de 2022, passando o recado de que a cassação da ex-presidente é “coisa do passado”. A tônica do discurso em Minas deve ser parecida.

O giro nordestino, encerrado no último dia 26, marcou o primeiro tour desde que o ex-presidente recuperou os direitos políticos. O saldo foi considerado positivo pela cúpula do PT. Lula refez pontes com PSB e MDB, cujas relações se esgarçaram nos últimos cinco anos. Os partidos apoiaram o impeachment de Dilma; seu sucessor, Michel Temer, virou persona non grata para a militância petista; e Pernambuco, um dos Estados visitados, foi o cenário de uma briga fratricida pela prefeitura do Recife entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) no pleito de 2020. O ex-presidente se reuniu com os principais caciques na região, vestiu o uniforme de pré-candidato e afinou o diálogo para viabilizar um consenso em torno de sua figura na eleição de 2022 — ainda que em público diga que sequer está pensando no tema.

Nas agendas públicas, o petista antecipou o tom da próxima campanha. Disse que foi alvo de perseguição judicial, reforçou os ataques à imprensa e deixou claro para interlocutores que vestiu o figurino de candidato ao Palácio do Planalto em 2022 — ainda que em público diga que está “construindo um consenso” em torno de um nome e que se for ele a comandar a “frente ampla”, vai disputar a Presidência da República. Também foi agraciado com os velhos vícios, como o bloqueio parcial de uma praia no Ceará.

Apesar da resistência de setores de MDB e PSB –em especial no Centro-Sul do país, onde o bolsonarismo ainda é forte — em apoiar o petista para presidente, o PT tenta evitar que as legendas fechem apoio a Bolsonaro ou a outro candidato. Resta pouco mais de um ano para a eleição, mas a campanha já está na rua.

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