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Após acordo, índios começam a desocupar Belo Monte

Nesta quarta-feira será discutida a pauta de reivindicações dos pescadores ribeirinhos, que também ocupam o local. Canteiro de obras está parado

Depois de mais de quatro horas de negociações, líderes indígenas chegaram a um acordo com a Norte Energia, consórcio responsável pelas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A reunião de conciliação, realizada nesta terça-feira, foi determinada pelo juiz federal de Altamira, Marcelo Honoratto e coordenada pelo procurador da Fundação Nacional do Índio (Funai), Leandro Santos da Guarda. O objetivo era tentar uma saída pacífica dos manifestantes do canteiro de obras, em ação de reintegração de posse da Norte Energia.

Desde o último dia 8, cerca de cem manifestantes, entre índios, pescadores e integrantes de organizações não governamentais ocupam o Sítio Pimental, em Volta Grande do Xingu. Os manifestantes estão acampados na ensecadeira – dispositivo para contenção temporária da ação das águas de um rio -, um dos canteiros das obras de usina.

Por questões de segurança, as obras tiveram de ser paralisadas e cerca de 900 trabalhadores realocados em Altamira e outras localidades. Os líderes indígenas comprometeram-se em deixar o local ainda na noite desta terça-feira. O próximo passo será a definição das datas para o atendimento dos pontos acertados.

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Segundo a Agência Brasil, a empresa concordou integralmente com a pauta de reivindicações dos índios. Dentre as demandas, destacam-se: demarcação das terras indígenas de acordo com o previsto nas condicionantes do licenciamento de Belo Monte; monitoramento territorial; infraestrutura e saneamento básico para as comunidades de índios; construção de escolas com ensino diferenciado nas comunidades, e postos de vigilância, entre outras. Os índios reclamavam que a empresa não estaria cumprindo as condicionantes para realização da obra. A Norte Energia, por sua vez, afirma que a consturção de Belo Monte não atingirá terras indígenas.

Nesta quarta-feira, em Altamira, será discutida a pauta de reivindicações dos pescadores ribeirinhos e pequenos agricultores, que também ocupam o local.

(Com Agência Estado)