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Apesar de sinalizações a Freixo, PT flerta com outras opções no Rio

Com campanha de Lula como prioridade, partido quer ter palanques mais amplos: 'É importante que Freixo crie relação com quem está distante', diz petista

Por Caio Sartori 18 jan 2022, 19h02

Apesar das sinalizações frequentes, o apoio do PT a Marcelo Freixo (PSB) na eleição para governador do Rio não é tido como certo na política fluminense. Embalado pela liderança isolada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas e pelo poder intrínseco a ela, os petistas demoram a concretizar o que farão no berço do bolsonarismo e sonham com um palanque mais amplo. Além de Freixo, há flertes com o grupo do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT). Fala-se até na possibilidade de colocar candidatura própria – a do presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, que hoje é pré-candidato ao Senado e nega veementemente a intenção de concorrer ao governo. 

“A prioridade do PT no Rio é a campanha do presidente Lula. E, logicamente, o partido trabalha para ampliar os palanques dele no Rio de Janeiro. Eu diria que o Freixo tem 70%, 80% do PT. Mas não tem 100%. É importante que ele possa criar essa relação com quem está distante, com a direção do Rio. O PT estadual também conversa com Rodrigo Neves, com o Eduardo Paes. É da política”, afirma Ceciliano, que mantém conversas recorrentes com Freixo e é o principal interlocutor de Lula no Rio. 

Há uma leitura de que Freixo se agarra muito a caciques de fora do estado, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann. Dos locais em que o PSB cobra o apoio do PT a candidatos a governador em troca do vínculo a Lula, o Rio é o único em que os petistas ainda não lançaram um pré-candidato próprio como forma de aumentar seu poder nas negociações. Já o fizeram em Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, por exemplo. Nome natural para esse movimento, Ceciliano descarta e diz que quer o Senado para poder atuar pelo estado em Brasília. Se precisar retirar a candidatura, concorrerá a deputado federal, afirma ele, que chegou a ser convidado por Paes para se filiar ao PSD e ser o candidato do partido ao governo. Hoje, o indicado do prefeito é o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

A relação de Paes com o petista vem dos tempos em que comandava a Prefeitura pela primeira vez, enquanto o ex-presidente ainda estava no Planalto. Recentemente, os elogios do carioca a Lula têm se concentrado na capacidade que ele tinha de lidar com os mandatários municipais e de respeitar o Pacto Federativo. Comandado há poucos meses por Paes, o PSD fluminense aguarda o que será feito pela direção nacional da legenda, que lançou a desacreditada pré-candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, à Presidência da República. Nos bastidores, falam que o partido poderia abrir mão dela e caminhar com Lula já no primeiro turno – o que impactaria o cenário no Rio. 

Freixo tem postado fotos ao lado de Lula com legendas que dizem que o Brasil e o Rio serão “reconstruídos” após as eleições deste ano. Ele e o ex-presidente têm ótima relação e se encontraram várias vezes nos últimos meses. Algumas atitudes e características do deputado, no entanto, preocupam o PT. Pegou mal, por exemplo, o voto contrário ao projeto que aumentava os poderes do Congresso sobre o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um tema caro ao partido de Lula após a Lava Jato. Há ainda o temor de que, com Freixo, o bolsonarismo local consiga levar os debates para temas morais e “identitários”, sem relação com os problemas reais do Rio – mesmo que ele próprio tenha tentado fugir disso. 

A fim de reafirmar seu compromisso em conciliar com diversos setores, Freixo tem focado sua agenda em conversar com três eixos da sociedade: policiais, evangélicos e empresários. No ano passado, trocou o Psol pelo PSB para acenar ao centro. No atual comitê que coordena sua pré-campanha, há representantes do PSB, PT, Rede e PCdoB.

Para o PT, além dos palanques de Lula, a prioridade é formar uma robusta bancada de deputados federais. No Rio, os quadros que devem despontar como os principais do partido para essa empreitada são a já deputada federal Benedita da Silva; o vereador e ex-senador Lindbergh Farias; o vice-presidente nacional da sigla Washington Quaquá; o ex-deputado federal Wadih Damous; e o ex-candidato a prefeito de São Gonçalo Dimas Gadelha, que perdeu por pouco a eleição no município que tem mais de 1 milhão de habitantes e é conhecido pelo alto número de evangélicos. Além, é claro, de Ceciliano, caso tenha que abrir mão da candidatura ao Senado em troca de acenos a outros partidos. 

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