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Ao lado de Maia e Baleia, Doria diz que o país precisa reagir a Bolsonaro

Tucano pede à população que participe de panelaço nesta sexta-feira e que o Congresso ‘cumpra o seu papel’; presidente chama tucano de ‘ladrão’ e ‘moleque’

Por Da Redação Atualizado em 15 jan 2021, 17h40 - Publicado em 15 jan 2021, 17h28

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), convocou nesta sexta-feira, 15, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do candidato dele à sucessão, Baleia Rossi (MDB-SP), a população a participar do panelaço marcado para as 20h30 de hoje e reagir ao governo Jair Bolsonaro. Ele pediu também que o Congresso “cumpra o seu papel”.

Depois de chamar Bolsonaro de “um presidente negacionista, indiferente, frio, sem solidariedade, sem a menor capacidade de gerir o Brasil” e o governo de “sem rumo, sem plano, sem meta, sem objetivo e sem coração”, Doria convocou a sociedade a reagir.

“Será que o Brasil, que já se mobilizou nas ruas pela mudança, com movimentos cívicos de ordem popular, vai continuar quieto e não vai reagir? Reaja Brasil, reaja Congresso Nacional, cumpra o seu papel. Cada parlamentar sabe o seu papel, a força da sua voz. Reajam governadores, prefeitos, dirigentes sindicais, formadores de opinião, ampliem a reação da imprensa, um dos poucos segmentos que tem se mantido na posição de contrapor-se a um facínora que comanda o país”, disse.

Depois, foi mais direto e pediu envolvimento da população no panelaço pelo impeachment do presidente, convocado pelas redes sociais. “Será que o Brasil que você deseja para os seus filhos e netos é o Brasil de Jair Bolsonaro? Tenho certeza que muitas vozes vão começar a se levantar em defesa do Brasil. Se não fizermos isso, em dois anos, o Brasil estará destruído pela incompetência, inépcia, incapacidade, mortalidade e pela insanidade. Sem aglomerações, povo nas janelas, façam panelaço, usem as redes sociais, legitimas e verdadeiras, não as robóticas e mentirosas. O Brasil tem coragem sim de reagir”, disse.

No futuro

Já Rodrigo Maia disse que o impeachment vai ser discutido, mas não neste momento, em que a prioridade é combater a pandemia da Covid-19. “Esse tema, de forma inevitável, será debatido no futuro. Mas, nesse momento de perdas de vidas, [é preciso] trocar o foco do que é principal, mesmo sabendo que há uma desorganização, uma falta de comando do Ministério da Saúde e que precisamos que o governo federal assuma a responsabilidade sobre o SUS”, disse.

De acordo com ele, o que o Congresso deveria fazer é “voltar aos trabalhos [está em recesso], cobrar do ministro (Eduardo Pazuello), cobrar da Anvisa uma posição transparente em relação à autorização das vacinas, cobrar da Casa Civil qual é a coordenação, cobrar dos ministros da Saúde e da Economia (Paulo Guedes)”. “Não deveríamos ter parado desde o início do ano. Deveríamos retomar os trabalhos rapidamente, mesmo que por meio da comissão representativa, e depois discutir outros temas”, disse.

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  • Baleia Rossi, que, se eleito, assumiria a Câmara a partir de 2 de fevereiro, disse que agiria “de acordo com o que diz a Constituição”. “A Câmara pode sim ser protagonista nessa história. Uma candidatura não pode ter como bandeira o impedimento do presidente. Todos os pedidos que estiverem colocados vão ser analisados por mim, depois do dia 2 de fevereiro, dentro do que diz a Constituição”, afirmou. Segundo ele, “quando for preciso, a Câmara precisa ser um contraponto aos exageros do governo federal”.

    A Câmara tem 60 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro apresentados desde o início de 2019, mas é preciso que Rodrigo Maia dê o aval para que eles possam tramitar na Casa.

    Bolsonaro

    Em entrevista ao programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena na Band, Bolsonaro reagiu ao vivo e quase no mesmo momento da entrevista no Palácio dos Bandeirantes. Fez duras críticas a Doria – a quem chamou de “incompetente”, “ladrão” e “moleque” – e também comentários ofensivos – “calcinha apertada”.

    O presidente reagiu de forma agressiva ao ser questionado sobre a possibilidade de sofrer um impeachment. “Só Deus me tira daqui. Não existe nada de concreto contra mim. Me tirar na mão grande? Não vão me tirar. Querem invetar uma fake news para me tirar daqui”, afirmou.

    Bolsonaro também declarou que o governo federal está fazendo tudo o que é possível no caso de Manaus e que, em relação à pandemia em geral, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o seu enfrentamento era responsabilidade de governadores e prefeitos – na verdade, o que o STF decidiu é que estados e municípios têm autonomia para tomar suas decisões, mas, em nenhum momento, eximiu a União de responsabilidade.

    O presidente também atacou Maia, a quem acusou de travar a aprovação de projetos importantes do governo e de só pensar na eleição para a presidência da Câmara. Bolsonaro apoia o rival de Maia, o deputado Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do Centrão.

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