Ancine aprova registro de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro
Aprovação da agência reguladora permtirá exibição nos cinemas, mas não blinda o longa das investigações em curso na Polícia Federal
A Agência Nacional de Cinema, a Ancine, aprovou o registro do filme Dark Horse, que conta a história de vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, como obra estrangeira. Essa etapa é importante para que a obra, mesmo sob investigação, seja exibida nas salas dos cinemas nacionais. Aliados da campanha de Lula pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a exibição fosse proibida durante a campanha, mas não conseguiram. Em português, o nome da obra ficou registrado como “O Azarão”.
O despacho é da última sexta-feira, 21, mas o prazo inicial da decisão — inclusive para eventuais impugnações — começa nesta segunda, 24. Durante o andamento do processo de registro, a Ancine cogitou multar o longa, por conta da ausência do registro adequado do período de produção. A produção enviou um esclarecimento à agência afirmando que houve uma comunicação simultânea — uma em nome da Unifilmes Distribuidora de Filmes Ltda e outra em nome da Cannes Produções Ltda, o que causou a confusão.
Em nota, a Ancine disse que o filme ainda precisará obter o Certificado de Registro de Título (CRT) e a classificação indicativa no Ministério da Justiça para ser exibido nas telas dos cinemas. Segundo a agência, ainda está aberto um processo administrativo contra a Go Up Enterteinment, produtoa do longa.
“O processo é resultado de denúncia formalmente apresentada, dando conta da produção, em território brasileiro, de obra audiovisual estrangeira sem a prévia comunicação à Agência. Os resultados da apuração serão divulgados publicamente após a conclusão, garantida a ampla defesa e o contraditório”, diz o órgão. O deferimento do registro da obra não blinda o filme das outras investigações que o colocam sob suspeita.
O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro pediu ao banqueiro e dono do Master Daniel Vorcaro 134 milhões de reais para financiar a produção do longa. Desse valor, 61 milhões teriam sido efetivamente desembolsados. A quantia, superior a várias outras superproduções, levantou suspeitas sobre o destino do dinheiro solicitado para custear o filme.
Além disso, o Dark Horse também recebeu dinheiro de emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os deputados do PL que enviaram a verba pública se explicassem, por conta da exigência de que o pagamento de emendas seja transparente do início ao fim da cadeia. As duas frentes de suspeita estão sendo investigadas pela Polícia Federal.







