Anafitra critica EUA por usar combate ao trabalho escravo para aplicar novo tarifaço ao Brasil
Na avaliação da entidade, os argumentos apresentados pelo governo Trump carecem de fundamentação técnica
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais a produtos brasileiros sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado foi alvo de nota de repúdio da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho.
Na avaliação da entidade, os argumentos apresentados carecem de fundamentação técnica, não identificam produtos, cadeias produtivas ou evidências que sustentem a medida e acabam penalizando trabalhadores, empresas e a economia brasileira.
“A medida anunciada pelos Estados Unidos se refere, principalmente, ao controle da entrada no Brasil de produtos fabricados com trabalho forçado em outros países, tema distinto do enfrentamento ao trabalho em condições análogas à escravidão praticado em território nacional. Ao mesmo tempo, reconhece que documentos norte-americanos mencionam casos envolvendo a produção brasileira, especialmente na pecuária, o que exige apuração rigorosa, mas não justifica a responsabilização generalizada do país ou de seus setores produtivos”, pontua a Anafitra.
A associação destaca ainda que o Brasil construiu, ao longo de mais de três décadas, uma política de combate ao trabalho escravo reconhecida internacionalmente, baseada na atuação técnica da auditoria-fiscal do trabalho, responsável pelas fiscalizações, resgates de trabalhadores e responsabilização administrativa dos infratores.
“A Anafitra alerta que essa política enfrenta ameaças concretas. Tentativas de enfraquecer a lista suja do trabalho escravo, pressões sobre a autonomia da fiscalização, a insuficiência de auditores-fiscais do trabalho e a falta de estrutura operacional comprometem a capacidade do Estado de enfrentar uma das mais graves violações de direitos humanos”, afirma a entidade.
“A entidade reafirma que o combate ao trabalho escravo não pode ser instrumentalizado em disputas comerciais nem enfraquecido por decisões políticas. Proteger os trabalhadores exige compromisso com evidências, fiscalização e instituições fortes”, acrescenta.






