Clique e assine a partir de 8,90/mês

Almirante tinha ‘camada de proteção’ para receber propina, diz delator

Doleiro Cláudio Barboza, que fechou delação com o MPF, afirmou que ex-funcionário de banco suíço intermediava propina a Othon Luiz Pinheiro da Silva

Por Estadão Conteúdo - 21 Maio 2018, 18h29

O doleiro Cláudio Barboza contou ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro que o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva tinha uma “camada de proteção” para receber propina. Conhecido como “Tony”, Barboza descreveu em sua delação premiada a “engenharia” usada pela Odebrecht para transferir valores ao almirante Othon.

O delator disse em seus depoimentos que operava com um ex-funcionário do banco Credit Suisse chamado Paulo Arruda, que, relatou o doleiro, tinha o militar como cliente. “Sabe dizer que Paulo Arruda também estava incluído no sistema Drousys da Odebrecht; que a empreiteira colocou Arruda no sistema em razão do mesmo possuir o almirante Othon como cliente; que Othon era presidente da Eletronuclear”, afirmou.

Aos procuradores, Cláudio Barboza declarou que recebeu essa informação de Luiz Eduardo Soares, um dos executivos do departamento de propinas da Odebrecht, e que o próprio Arruda lhe confirmou a relação com o almirante.

“Tal circunstância demonstra que a construtora pagava valores a Othon por meio de Arruda; que como o colaborador também operava para a Odebrecht, foi estabelecido que os créditos para o almirante Othon, via Paulo Arruda, seriam creditados primeiro para o colaborador (Cláudio Barboza) para depois serem creditados a Arruda; que tal sistemática funcionou em 3 ou 4 operações e servia como uma camada de proteção de um vínculo entre Odebrecht e o almirante”, afirmou ele em seu depoimento.

Othon Luiz Pinheiro da Silva foi preso em julho de 2015 pela Operação Lava Jato e mandado para o regime aberto em dezembro daquele ano, mas voltou a ser preso em julho de 2016 pela Polícia Federal, durante a Operação Pripyat, acusado de continuar a exercer influência na Eletronuclear.

Em outubro de 2017, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) revogou a prisão preventiva dele, por meio de habeas corpus. O ex-presidente da Eletronuclear já foi condenado a 43 anos de prisão.

Continua após a publicidade
Publicidade