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Aliança pelo Brasil: o partido natimorto de Bolsonaro virou “uma ideia”

Cerca de 120.000 das 300.000 assinaturas coletadas ainda precisam ser validadas pelo TSE

Por Letícia Casado, Hugo Marques 15 jan 2022, 21h52

Foram meses coletando assinaturas e investindo muito dinheiro e energia, mas o sonho não se concretizou. Projetado para abrigar o presidente Jair Bolsonaro (PL), o Aliança pelo Brasil, partido que estava sendo gestado por um grupo de empresários para ser um dos maiores do país, não deverá sair do papel. O partido idealizado por apoiadores do presidente já pode ser considerado natimorto.

“Deixou de ser apenas um partido e virou uma ideia, uma casa de conservadores que se pretende não vincular diretamente a apenas um personagem, até porque o presidente exerceu outra opção”, diz o empresário Luís Felipe Belmonte, um dos principais idealizadores do projeto , marido da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), que faz parte da base do governo na Câmara.

Belmonte  é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que apura atos antidemocráticos. “O movimento já se iniciou e não será mais parado. Não estamos trabalhando o Aliança para as próximas eleições, e sim, para as próximas gerações”.

Cerca de 120.000 das 300.000 assinaturas coletadas para criar o partido ainda precisam ser validadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que, na prática, torna inviável a participação da legenda nas eleições de outubro. A legislação eleitoral determina que a agremiação deve estar registrada no tribunal até abril, seis meses antes do pleito. E, ainda que conseguisse, os neófitos não teriam tempo de TV. 

O Aliança pelo Brasil estava sendo projetado à imagem de Bolsonaro. O símbolo da legenda foi desenhado com projéteis e seu número é o 38, referência ao calibre da bala. O estatuto do partido prevê combate à ideologia de gênero, defesa da família e da propriedade, e o armamento da população, entre outros, “unindo todos aqueles que estejam sob a bandeira do amor à pátria e contrários a tentativas ideológicas tendentes desvirtuar os valores mais caros aos brasileiros”.

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Muita coisa não caminhou como combinado inicialmente. Maior interessado na criação do partido, Bolsonaro acabou por se afastando de Belmonte. O chefe do Executivo, que havia deixado o PSL no fim de 2019, ainda em seu primeiro ano de mandato, ficou por quase dois anos sem legenda até que em 30 de novembro de 2021 se filiou ao PL, comandado por Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão. Mesmo antes da filiação, a cúpula do Aliança pelo Brasil já sabia que o presidente havia abandonado o projeto.

Belmonte diz que não é possível calcular o quanto foi investido no projeto, pois “90% dos trabalhos desenvolvidos foram feitos de maneira voluntária , por pessoas que se apresentaram espontaneamente para o trabalho ou por empresários e o pessoal do agro”.

“No nosso caso, no Distrito Federal, constituímos no primeiro semestre do ano passado uma força-tarefa para centralizar as operações ao custo de aproximadamente 20.000 reais por mês, custeado com doações”, afirma.

 

 

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