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Aliado de Cunha perde eleição no Conselho de Ética

José Carlos Araújo (PSD-BA) assumirá o colegiado pela terceira vez

No ano do petrolão, o deputado José Carlos Araújo (PSD-BA) foi escolhido para presidir o Conselho de Ética da Câmara. É a terceira vez que ele comandará o colegiado. Araújo foi eleito com treze votos, contra oito do adversário Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que tinha o apoio do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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Com posição estratégica, o conselho deve julgar os parlamentares envolvidos no esquema de corrupção que sangrou os cofres da Petrobras. Dos 47 inquéritos abertos contra políticos no Supremo Tribunal Federal, 22 são sobre deputados e podem ser analisados pelo colegiado.

No discurso após ser eleito, José Carlos Araújo pregou a independência da atuação do colegiado e uma mudança no Regimento: que o Conselho de Ética, a exemplo do que acontece nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), tenha o poder de convocação dos depoentes. Atualmente, a única possibilidade de ouvir as testemunhas é por meio de convite, quando não há a obrigatoriedade de comparecimento. “Nós temos de ter poder de intimidar e trazer aqui quem tem de depor. Hoje é um atraso muito grande: a gente convida, o cidadão não vem e não traz explicação. Esse é um passo importante que o conselho precisa ter”, disse.

No ano passado, o Conselho de Ética da Câmara foi responsável por abrir o processo que culminou na cassação do deputado André Vargas (ex-PT), o primeiro deputado flagrado em negociatas com o doleiro Alberto Youssef, pivô da operação Lava Jato.

Composição – Entre os membros do Conselho de Ética estão dois deputados que, indiretamente, aparecem na operação da Polícia Federal. Cacá Leão (PP-BA) é filho do vice-governador da Bahia João Leão (PP), que afirmou estar “c… e andando” após denúncias de que recebeu dinheiro de corrupção. O suplente Covatti Filho (PP-RS) também teve o pai, o ex-deputado Vilson Covatti, envolvido no escândalo.

O presidente do conselho preferiu não opinar sobre a necessidade do afastamento desses parlamentares: “Aqui nós não temos a presença de um citado. O filho não pode pagar pelo pai”, disse Araújo.

José Carlos Araújo foi relator do processo que cassou o mandato do deputado-presidiário Natan Donadon (RO).