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Aliado ao PSDB, Datena diz que segurança de SP ‘está falida’

Tucanos governaram o estado, que comanda a segurança, por 24 anos; pré-candidato ao Senado era tido como esperança para fortalecer Alckmin contra Bolsonaro

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 28 jun 2018, 15h49 - Publicado em 28 jun 2018, 14h50

Mau sinal para aqueles que imaginavam que o lançamento do jornalista José Luiz Datena (DEM) como pré-candidato ao Senado na chapa de João Doria (PSDB) seria um estímulo para o crescimento de Geraldo Alckmin (PSDB) entre os eleitores preocupados com a questão da segurança pública. Consagrado pela apresentação de programas policiais, como o Brasil Urgente, da Band, Datena afirmou que o sistema de segurança de São Paulo, administrado por Alckmin nos últimos oito anos, faliu.

“O PCC [a facção Primeiro Comando da Capital], em São Paulo, é a facção criminosa que mais cresce no mundo. Se ela é a organização criminosa que mais cresce no mundo, isso significa que o sistema de segurança de São Paulo, do Brasil, está falido”, afirmou o pré-candidato. A bandeira da segurança é a que move a postulação de outro presidenciável, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que liderou os últimos levantamentos no estado. Questionado por VEJA se há algum constrangimento na fala de seu colega de chapa, João Doria negou.

“Não cria constrangimento. Nós temos que reconhecer a natureza do Datena, foi esse seu impulso na carreira como repórter policial. Temos que compreender. E, obviamente, melhorar. Utilizar a experiência do Datena e de outros especialistas em segurança para melhorar. Embora eu precise reforçar que São Paulo tem os menores índices de homicídio do Brasil”, afirmou o ex-prefeito e pré-candidato do PSDB.

Segundo Doria, a posição da sua chapa na área “é uma posição de muita firmeza, uma posição mais dura e firme”. “Nenhuma condescendência com a bandidagem, com grupos organizados no âmbito dos bandidos, inclusive as facções. E deixando bastante claro aquilo que eu tenho dito nas últimas semanas: ‘bandido bom é bandido preso'”.

‘A contragosto para caramba’

Datena não respondeu a perguntas dos jornalistas presentes. Ele disse que estava no evento “a contragosto para caramba”, em luto pelo falecimento do empresário Toninho Buonerba, que considerava seu “segundo pai” e morreu nesta quinta. “Não estou em condições psicológica e sentimental de responder nada”, afirmou o jornalista. Quando Doria ensejou o início da coletiva, ele se antecipou para interromper dizendo que não responderia as seis perguntas citadas e o ex-prefeito respondeu “não são para você”. Pouco tempo depois, antes dos questionamentos da imprensa, ele deixou a sala.

O discurso de lançamento, ressalvado o visível estado emocional do pré-candidato, mostrou que Datena dificilmente será “domado” pelos partidos políticos. Ele não poupou as lideranças presentes de nenhum constrangimento. Em um momento do discurso, disse que fazia acordo com políticos “que eu meti o pau”, porque faz parte de um acerto “aceitar a parte ruim que vem do outro lado”. “Tem cara que está participando dessa coligação que me odeia. Aliás, que se explodam. Mas se aceitaram, vão ter que aceitar mesmo”, prosseguiu.

  • Durante o discurso, os integrantes da mesa – entre eles, Maia, Doria, o ministro Gilberto Kassab (PSD), o deputado Rodrigo Garcia (DEM) e o prefeito Bruno Covas (PSDB) – alternavam expressões de surpresa e constrangimento, com risadas e aplausos nas frases mais enfáticas. Ao lado de Maia, defensor de mudanças nas aposentadorias, Datena disse que “a política brasileira está, na maior parte, corrompida, carcomida e podre. Eles só falam de reforma da Previdência, se não o Brasil quebra. Só falam de reforma tributária, porque se não o Brasil não vai para frente. Mas não falam de reforma política, é sempre a última das pautas”.

    ‘Só ver a Alemanha’

    Apesar do nítido clima de “já ganhou” entre os políticos presentes, Datena, que começou como repórter esportivo, se comparou à seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 2018 – que era uma das favoritas, mas caiu na primeira fase. “É só ver a Copa do Mundo. A Alemanha já está fora. Esse negócio de ‘já ganhou’ não existe”, completou.

    A expectativa de trazer Datena para a chapa, no entanto, ficou clara na fala de João Doria. “Temos certeza que Datena terá a maior votação da história para o Senado Federal, com todo o carinho que ele tem do povo brasileiro”, afirmou.

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