Alerj perde mais um deputado atingido por investigação da PF
Thiago Rangel renuncia após três meses preso por suspeita de corrupção e ligação com o crime organizado; ele nega suspeitas e diz que vai se dedicar à defesa
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) renunciou ao mandato nesta quarta-feira, 12, após mais de três meses preso preventivamente em uma investigação da Polícia Federal por suspeita de operar fraudes em contratos da área de Educação do estado e de envolvimento com o crime organizado.
A renúncia foi comunicada nesta tarde pelo vice-presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Delaroli (PL), que ficou encarregado de ler o pronunciamento do deputado. Rangel justificou que precisa se decidir integralmente à defesa dele na investigação. O suplente Wellington José (União) já estava no exercício do mandato.
O agora ex-parlamentar foi preso em uma das fases da Operação Unha e Carne, que já havia atingido os ex-deputados TH Joias e Rodrigo Bacellar. Ele é suspeito de participar de um esquema de superfaturamento de materiais escolares e de serviços prestados no âmbito da Secretaria de Educação do estado. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a medida necessária para “resguardar a ordem pública e a conveniência da instrução criminal”. A defesa nega enfaticamente qualquer envolvimento dele com os crimes sob investigação.
De acordo com a Polícia Federal, Thiago Rangel movimentou um volume tão grande de dinheiro em espécie que foi necessário contratar um cofre inteligente e uma transportadora de valores. Ele também teria usado empresas registradas em nome de “laranjas” para receber propinas. Outra descoberta da Polícia Federal foi a relação do ex-parlamentar com Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”, descrito no inquérito como um “indivíduo de alta periculosidade e extensa ficha criminal”, incluindo condenações por homicídio e tráfico de drogas. Segundo os investigadores, o ex-deputado ofereceu a Júnior do Beco duas vagas de auxiliar de serviços gerais em órgãos públicos da área de educação para o traficante fazer indicações.
O plenário da Alerj poderia ter aprovado a soltura do deputado, como fez em dezembro com o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, mas preferiu evitar o desgaste em ano eleitoral. A Assembleia Legislativa se vê envolvida em uma crise de imagem após a prisão de três parlamentares – TH Joias, Bacellar e o próprio Rangel. Há um esforço para evitar uma contaminação ainda maior da Casa.







