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Aldo Rebelo anuncia fim de convênios com ONGs

Orlando Silva caiu após revelação, feita por VEJA, de envolvimento em esquema de corrupção; novo ministro vai reafirmar posição do governo sobre valor dos ingressos para Copa do Mundo, contrariando os interesses da Fifa

Por Luciana Marques - 27 out 2011, 16h57

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), anunciou nesta quinta-feira, como uma de suas primeiras medidas concretas à frente do posto, a suspensão dos convênios com organizações não-governamentais (ONGs). Os contratos com essas entidades culminaram na queda do antecessor de Rebelo, Orlando Silva, que deixou o cargo nesta quarta-feira após revelações, feitas por VEJA, de envolvimento em um esquema de corrupção.

Orlando Silva foi acusado de receber propina de uma entidade em troca de convênio para o programa Segundo Tempo. “É preciso que se reforce o controle e a fiscalização porque o nosso interesse é a proteção e a preservação do recurso público”, disse Aldo Rebelo. Segundo ele, os convênios com prefeituras serão mantidos.

O nome do comunista foi confirmado no início da tarde pelo Planalto para assumir o Esporte no lugar de Orlando Silva, que pediu demissão na quarta-feira. O anúncio oficial foi feito após reunião da presidente Dilma Rousseff com o próprio Aldo e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, no Palácio da Alvorada. A nomeação será publicada na edição desta sexta do Diário Oficial da União (DOU). A posse será na segunda-feira.

Meia-entrada – O novo ministro afirmou também que, pessoalmente, é favorável à meia-entrada para estudantes nos jogos da Copa do Mundo de 2014, mas ressaltou que vai defender o posicionamento do governo sobre o assunto a partir de agora. A Lei Geral da Copa, enviada pelo Executivo ao Congresso Nacional, prevê meia entrada para idosos e não para estudantes, pois não há legislação federal sobre o assunto. O tema ainda está em discussão no Congresso e colocou o governo e a Fifa em lados opostos.

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“Como ministro do Esporte, eu tenho compromisso com o governo. Fui presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), fui líder estudantil e uma das minhas bandeiras sempre foi a defesa da meia-entrada”, disse Aldo Rebelo. “Esse é um direito que consta na legislação brasileira, não estou discutindo as atribuições da Fifa”. O novo ministro disse que não tem a responsabilidade de rever a lei da Copa, porque essa é uma atribuição da Câmara dos Deputados.

Fifa – A Fifa trava uma verdadeira quebra de braço com o governo brasileiro por defender valor único para os bilhetes dos jogos da Copa e exigir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o que é proibido de acordo com a legislação brasileira. O órgão chegou a “demitir” Orlando Silva antes mesmos de Dilma Rousseff anunciar sua exoneração do comando do Ministério do Esporte.

Sobre a relação que terá com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), presidida por Ricardo Teixeira, o ministro disse é preciso haver “cooperação” e “independência” entre os órgãos. “São dois entes distintos. Um público, com a responsabilidade diante da população. E outro privado, guiado por interesses objetivos que nem sempre coincidem com os do governo”.

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