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Aécio: PSDB vai priorizar bancada no Congresso para liderar projeto presidencial em 2030

Presidente nacional do partido ensaiou candidatura ao Planalto, desistiu e agora pode tentar o Senado por Minas Gerais

Por Anna Satie Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 12h50 | Atualizado em 21 jul 2026, 14h01
Aécio: PSDB vai priorizar bancada no Congresso para liderar projeto presidencial em 2030 Priorizar nos meus resultados Google

Depois de abrir mão de disputar a Presidência da República em 2026, o PSDB vai apostar na neutralidade para tentar sobreviver à polarização entre lulismo e bolsonarismo, posição que deve ser consolidada nas convenções nacionais do partido em breve. O presidente nacional da legenda, deputado federal Aécio Neves, diz que o plano é eleger 35 parlamentares neste ano — quase o dobro da bancada atual, de 19 deputados — e lançar um projeto presidencial em 2030.

Aécio disse ainda que pode ser candidato ao Senado por Minas Gerais nas próximas eleições, mas que aguarda a definição das chapas para tomar uma decisão. Na última semana, o PT definiu o deputado federal Patrus Ananias como candidato ao governo do estado, um dos mais estratégicos do país, mas forças importantes, como o PL de Flávio Bolsonaro, ainda não definiram suas alianças e seus palanques no segundo maior colégio eleitoral do país.

Leia a entrevista:

Por que o PSDB abdicou de ter uma candidatura à Presidência nestas eleições? Nós achamos que era mais prudente, em razão até da força da polarização que, infelizmente tomou conta do Brasil, focar nas nossas bancadas, nos governos de Estado que nós temos condições de ganhar e a partir já dessa eleição construir um projeto de Brasil para 2030, liderado pelo PSDB. O objetivo é resgatar o protagonismo do PSDB na política brasileira para, aí sim, em 2030, lançar um projeto presidencial. Isso começará com essas eleições para a Câmara Federal. Acho que nós podemos passar de 30, 35 deputados eleitos pelo partido. A nossa prioridade agora é definir essas candidaturas estaduais. Temos sete candidaturas a governos de Estado, vamos ver se todas chegaram ao final, mas é um momento que, resumindo, é de retomada do PSDB. Acho que essa será a última eleição tão polarizada assim na história do Brasil.

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Por que o senhor acha isso? Porque alguns dos principais personagens não estarão mais como protagonistas do seu próprio futuro, né? A política brasileira é muito personalizada, ela se move muito em função de pessoas e não de partidos. Na eventualidade, por exemplo, de uma vitória do Lula, ele não será o condutor de seu futuro, porque política é sempre expectativa de poder. Eu acho que a avenida do centro vai reabrir após essas eleições, já há um cansaço enorme do Brasil em relação a essa ausência de uma agenda realmente bem feita, corajosa, de reformas, que é o que nós vamos propor.

Então o PSDB não deve apoiar um candidato neste momento, no primeiro turno? Essa é a tendência nesse momento. Estamos discutindo isso a nível da federação com o Cidadania, mas nesse momento a tendência maior é que não haja vinculação formal a nenhuma candidatura. Vamos esperar a coisa andar um pouco. O PSDB foi o único partido político no Brasil que não se subordinou nem ao bolsonarismo nem ao lulopetismo. Não participamos de governos, não  nos curvamos à agenda deles. Então esse é um ativo político importante, que vai mostrando qual o nosso papel, qual o espaço do espectro político partidário brasileiro que nós ocupamos.

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E o senhor deve se candidatar à reeleição na Câmara ou a outro cargo nestas eleições? À Câmara eu não serei. É outra decisão que eu vou tomar nessas próximas duas semanas. Eu sou muito cobrado para colocar meu nome como candidato ao Senado em Minas, já que eu lidero todas as pesquisas, mas é uma decisão que eu vou tomar no final do mês. Estou refletindo, estou indo a Minas conversar. Estou cuidando dessa organização para nós fazermos essa bancada expressiva, aí depois eu cuido de mim.

Mesmo tão perto do período das convenções, ainda não há muitas candidaturas ao governo definidas em Minas Gerais, como o senhor vê esse cenário? Com muita preocupação. Infelizmente não temos confirmação de candidaturas ao governo e, até na eventualidade da minha candidatura ao Senado, eu preciso ter clareza antes de como as chapas vão se organizar. Eu sei como funciona. Eu já fui governador, já fui senador, e realmente os prazos em Minas Gerais se estenderam muito além do razoável. Mas é isso. Política é a arte de administrar o tempo. Vamos aguardar.

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