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Aécio critica governo e fala em ‘revolução de 64’

Ao discursar para prefeitos paulistas, o pré-candidato do PSDB à Presidência cometeu deslize e se referiu ao golpe militar como "revolução de 1964"

Em discurso para 600 prefeitos paulistas nesta quinta-feira, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PSDB Aécio Neves criticou a concentração de poder nas mãos do governo federal e cometeu um deslize ao chamar o golpe militar de 1964 de “revolução”, termo usado por apoiadores da ditadura.

O uso da expressão aconteceu quando o senador afirmava que o modelo de partilha de recursos prejudica os municípios. “Quanto mais descentralizados os recursos, mais bem gastos. O recurso descentralizado é fiscalizado mais de perto pela população. Quando mais centralizado, maior o desperdício, pra não dizer maiores os desvios”, disse Aécio.

Em seguida, ao situar historicamente essa concentração de poderes, fez a referência à “revolução”. “Veio a revolução de 64, novo período de grande concentração de poder nas mãos da União, apesar de ter sido um período em que foram criadas políticas compensatórias para regiões menos desenvolvidas”, disse o senador.

Após o discurso, questionado por jornalistas sobre o uso do termo “revolução”, Aécio foi mais crítico com o período: “Ditadura, revolução, como quiserem, regime autoritário, que todos nós lutamos para que fosse vencido.”

Aécio também aproveitou o congresso que reuniu prefeitos paulistas para atacar o governo federal. Citando a criação do 39º ministério do governo Dilma Rousseff (Micro e Pequena Empresa) e a volta do PR ao Ministério dos Transportes, Aécio disse que a suposta “faxina” que a presidente Dilma Rousseff fez em seu governo “era um discurso sem consistência”. “O que move o governo em todas as áreas é a lógica da reeleição”, afirmou.

“Isso só comprova o que tenho dito permanentemente: quem governa o Brasil não é mais a presidente, é a lógica da reeleição. Os espaços públicos não têm servido para melhorar a qualidade dos serviços públicos, mas para garantir alguns minutos a mais na propaganda eleitoral da presidente”

Durante o encontro, que reuniu ainda o governador de São Paulo, Geralddo Alckmin (PSDB), Aécio fez ainda em seu discurso várias referências ao colega de partido, que recentemente deu sua benção para a candidatura do senador mineiro à presidência do PSDB. A série de eventos em São Paulo é parte da estratégia de alguns líderes do partido para tentar quebrar a resistência de uma ala do PSDB paulista à candidatura do mineiro ao Palácio do Planalto.

Alckmin endossou a opinião de Aécio, favorável a descentralização do poder no Brasil. “O dinheiro mais bem aplicado pelo governo estadual é aquele gasto com os municípios”, disse Alckmin.

(Com Estadão Conteúdo)