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Adversários de Alves na Câmara criticam ‘politicagem’

Júlio Delgado (PSB-MG), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Rose de Freitas (PMDB-ES) disputam a Presidência da Câmara contra Henrique Alves (PMDB-RN)

Diante do favoritismo do peemedebista Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados, os três candidatos adversários ao cargo – Júlio Delgado (PSB-MG), Rose de Freitas (PMDB-ES) e Chico Alencar (PSOL-RJ) – defenderam nesta segunda-feira que os parlamentares deem uma resposta à sociedade e elejam um deputado que não seja vinculado à “politicagem”. Alves repassou recursos de sua verba indenizatória da Câmara para empresas de assessores ou ex-assessores ligados ao PMDB. Em um dos casos, a beneficiária era uma construtora, com sede de fachada, e guardada por um bode.

“Eu tenho em minhas mãos o sentimento de que chegou a hora da mudança, o sentimento que temos que vencer as práticas políticas que envergonham o parlamento, vencer a politicagem no Legislativo brasileiro”, disse Júlio Delgado, candidato pelo PSB. Apoiado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), Delgado afirmou no discurso de sua candidatura que os parlamentares “têm direito à mudança”. Sem citar as eleições no Senado, que na última sexta-feira deram vitória ao peemedebista Renan Calheiros, o socialista disse acreditar que “o poder Legislativo está acuado, está olhando de baixo para cima os demais poderes”.

“O parlamento está mal e o pior de tudo é que isso leva ao desalento e ao desencanto com a atividade política”, discursou o também candidato Chico Alencar. “A ética é o princípio elementar da moralidade e eficiência. A ética é um elemento da moralidade pública do bem comum, do interesse público. Não do interesse menor e privado”, disse ele, que relembrou o jogo de favores no Senado. “É um perigo para a democracia, faz com que o poder de fiscalizar fique apequenado”, completou.

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Com um tom um pouco menos exaltado, Rose de Freitas afirmou da tribuna da Câmara que sua candidatura não poderia ser considerada “clandestina”, embora o nome oficial do PMDB para o posto seja o de Henrique Alves. Representante do chamado “baixo clero” – termo utilizado para designar os parlamentares com pouca expressão na Casa -, ela disse que “todos sabem contra quem está lutando”. “O meu partido não convocou a bancada para que houvesse uma disputa sobre candidatos. Não fui chamada dentro do PMDB para participar de uma eleição, de uma escolha ou pelo menos um telefonema para saber se eu sou candidata”, reclamou.

Assim como os demais candidatos, incluindo Alves, o peemedebista favorito, os deputados apelaram em seus discursos para o resgate da imagem da Câmara, desgastada historicamente por episódios de corrupção e corporativismo. “A imagem que o poder Legislativo tem é a do privilégio. Ninguém olha para um deputado achando que ele pode resolver. Acham que é um monte de privilegiados. Essa Casa chega ao ponto de aumentar salários escondidos de madrugada”, declarou Rose de Freitas.

Baixo clero – Sem grande poder de mobilização dos 513 deputados, os candidatos alternativos ao nome de Henrique Alves contam com uma espécie de “fator Severino Cavalcanti”, em referência ao episódio quando o inexpressivo parlamentar pernambucano surpreendeu e derrotou em 2005 o candidato do governo à Presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).