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Acusador de Orlando Silva diz ter gravações que comprovam corrupção

Militante do PC do B que revelou esquema de corrupção a VEJA mantém afirmações e responde a ministro, que o chamou de "bandido"

Por Gabriel Castro - 16 out 2011, 19h00

O policial e militante do PC do B João Dias assegurou a VEJA ter gravações que comprovam o esquema de corrupção no Ministério do Esporte, revelado por ele em reportagem da edição desta semana da revista. Na manhã deste domingo, Dias publicou em seu blog uma espécie de carta aberta ao ministro. No texto, o policial militar afirma: “O que falei para a revista está devidamente gravado e será apresentado às autoridades competentes”. Ele não se refere apenas à gravação de sua entrevista a VEJA, mas, também, a arquivos em áudio que estão em seu poder e que, assevera, provam as acusações que faz à cúpula do Ministério do Esporte.

Dias também usou o blog para desafiar o ministro do Esporte, Orlando Silva, e seu partido. Diz que está ansioso para apresentar “as verdades materializadas” e para se confrontar com Silva em uma investigação. No texto, o policial militar responde ao ministro, que o chamou de “bandido” e desqualificou as revelações feitas pelo colega de partido a VEJA. De acordo com Dias, o Ministério do Esporte abriga um grande esquema de corrupção, criado para alimentar os caixas de campanha do PC do B. A reportagem mostra como o próprio Orlando Silva recebeu uma caixa repleta de dinheiro vivo.

Em mensagem publicada neste fim de semana, Dias reafirma o que disse à revista e diz ter sido procurado por um emissário do ministro pouco antes da publicação da matéria. “E se tu não deves nada, por que mandou seu secretario (sic) nacional Ricardo Leiser tentar me localizar na sexta feira, quando soube da matéria, o que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles acordos nao cumpridos?”, diz o texto.

Dias devolveu o adjetivo usado pelo ministro para tentar esvaziar as denúncias: “Eu não sou bandido, bandido é você e sua quadrilha, que faz e refaz qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência”, escreveu o policial.

Em uma frase postada em seguida, o militante do PC do B também ameaça a cúpula de seu partido, que divulgou um comunicado defendendo Orlando Silva. “Era bom o PC do B nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente”. O policial garantiu ainda estar ansioso para ser chamado a público para falar sobre suas acusações.

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Reportagem – A edição de VEJA que chegou às bancas neste sábado mostra como João Dias Ferreira, policial e militante do PC do B em Brasília, acusa Orlando Silva de coordenar um esquema milionário de desvios em convênios com Organizações não-governamentais (ONGs). Para receber o valor a que tinham direito, as entidades precisavam pagar 20% do valor em questão a integrantes da pasta.

João Dias, que chegou a ser preso durante uma operação que descobriu desvios no ministério durante o governo Lula, também acusa Orlando Silva de ter recebido uma caixa repleta de dinheiro vivo, originário do esquema. A maior parte dos recursos desviados teria sido usada para cobrir gastos de campanha do PC do B – inclusive despesas com a coalização que, em 2006, levou Luiz Inácio Lula da Silva ao poder.

Apesar de sua assessoria ter sido procurada na quinta-feira por VEJA, só após o fechamento da revista, na noite de sexta-feira, é que Orlando Silva fez contato com a reportagem.

O ministro se disse “chocado”. Afirmou que sabia das ameaças do policial há algum tempo. “Durante um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E qual foi a nossa posição? Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê? Porque como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos. E falávamos para ele: não nos interessa. Ele falava que existia um dossiê, que ia denunciar… A resposta era: faça, procure o Ministério Público, a polícia, a justiça, faça o que você quiser fazer”, afirmou.

Partido – Maior beneficiário do esquema denunciado por João Dias, o PC do B divulgou uma nota em que tenta desqualificar as revelações de VEJA. “Tudo indica que esse cidadão age por vingança, por represália contra a medida moralizadora do Ministério do Esporte”, diz o presidente da legenda, Renato Rebelo, no comunicado.

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